Início Histórias 100 anos da Batalha de La Lys: 400 soldados portugueses morreram

100 anos da Batalha de La Lys: 400 soldados portugueses morreram

Há 100 anos o Corpo Expedicionário português combatia em La Lys numa das mais violentas batalhas da I guerra mundial e 400 soldados portugueses morreram.

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100 anos da Batalha de La Lys: 400 soldados portugueses morreram
100 anos da Batalha de La Lys: 400 soldados portugueses morreram

100 anos da Batalha de La Lys: 400 soldados portugueses morreram

Há precisamente 100 anos o Corpo Expedicionário português combatia em La Lys numa das mais violentas batalhas da primeira guerra mundial. Em poucas horas morreram 400 soldados portugueses e quase sete mil foram feitos prisioneiros pelos alemães.

Foi o maior desastre militar português: “Por mais ilustrações de heroísmo (que o houve) que recuperem, a realidade é bem crua, triste e vergonhosa”.

100 anos da Batalha de La Lys: 400 soldados portugueses morreram
100 anos da Batalha de La Lys: 400 soldados portugueses morreram

Começo por confessar que não fora a apopléctica tentativa da Liga dos Combatentes em impor o 9 de Abril como o Dia do Combatente não me teria preocupado em descortinar o que estava por detrás do reposteiro. E foi assim que me vim a debruçar sobre aquele que foi, na realidade, o maior desastre militar do século XX português. Por mais intervenções de Photoshop histórico que façam, por mais ilustrações de heroísmo (que o houve) que recuperem, a realidade é bem crua, triste e vergonhosa.

E os culpados têm nome: os guerristas do Partido Democrático que, de forma irresponsável e infame, não desistiram enquanto não nos meteram no atoleiro do teatro europeu da Grande Guerra. O mais recente livro de Filipe Ribeiro de Menezes – De Lisboa a La Lys – publicado pela D. Quixote, é um excelente relato do que aconteceu, incorporando com objectividade o que os ingleses escreveram sobre o tema.

100 anos da Batalha de La Lys: 400 soldados portugueses morreram
100 anos da Batalha de La Lys: 400 soldados portugueses morreram

A sociedade portuguesa, na sua esmagadora maioria, sentia-se desconfortável com a ideia de participar no combate que se travava na frente europeia. Mas os guerristas perseveravam em impor a sua convicção na importância estratégica de ter forças portuguesas a combater nas enlameadas trincheiras da Flandres francesa. E, uma vez declarado o estado de guerra pela Alemanha, a 9 de Março de 1916, o Governo de Afonso Costa tratou de acelerar urgentemente a preparação dos primeiros contingentes.

Para aumentar a “produção” de soldados, a 24 de Maio de 1916, o Ministério da Guerra manda reinspeccionar todos os cidadãos com idade inferior a 45 anos e que tinham anteriormente sido declarados “não aptos”; e até coxos seriam incorporados. E no tórrido estio da charneca de Tancos, em condições climatéricas totalmente opostas às que os soldados iriam encontrar no campo de batalha europeu, era finalmente dada por “pronta” a maioria das tropas submetidas a treino.

O Governo, “em busca da aprovação pública e do sossego dos soldados e das suas famílias”, chamou à preparação relâmpago dessas tropas “o milagre de Tancos”, o que não deixa de ser irónico vindo de um sector político que fizera da anti-religiosidade a sua imagem de marca. Mais de vinte mil homens, sob o comando do general Fernando Tamagnini de Abreu e Silva, desfilaram a 22 de Julho de 1916 na parada de Montalvo, literalmente “para inglês ver”.

100 anos da Batalha de La Lys: 400 soldados portugueses morreram
“De Lisboa a La Lys”, de Filipe Ribeiro de Meneses (D. Quixote) – 100 anos da Batalha de La Lys: 400 soldados portugueses morreram

A 2 de Agosto as tropas começaram a desmobilizar mas o esforço guerrista continuou com a montagem da estrutura e das unidades com que Portugal pretendia participar na Guerra, na Europa. A orientação que presidira ao envolvimento formal no conflito começou a ser afinada com a formação de um Corpo de Exército autónomo, constituído essencialmente por três Brigadas de Infantaria.

França e Inglaterra tinham entretanto enviado missões militares a Portugal, chefiadas respectivamente pelo tenente-coronel de Cavalaria Jogal Paris e pelo major-general Nathaniel Barnardiston, e haviam dado o seu approval à constituição de um corpo expedicionário português, constituído por uma “Divisão reforçada”.

Sob a coordenação directa do ministro da Guerra, o coronel Norton de Matos, iniciou-se então o levantamento das tropas que deveriam integrar o CEP – Corpo Expedicionário Português e o CAPI – Corpo de Artilharia Pesada Independente (com um efectivo de 1.328 homens dos quais 70 oficiais) que iria ficar subordinado ao comando francês.

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A 31 de Agosto tinha sido proposta no Parlamento a reintrodução da pena de morte para situações de guerra; votada favoravelmente, a medida entrará em vigor a 28 de Setembro, originando violentos protestos nas ruas. Em 13 de Dezembro de 1916, os anti-intervencionistas, cada vez mais activos entre os militares, e cada vez mais populares entre as massas, resolvem arriscar uma sublevação.

(cont.)

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