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Os 10 melhores poemas de Fernando Pessoa e seus heterónimos

A sua obra é um tesouro incrível da Literatura Portuguesa e os seus poemas obras de arte ímpares. Conheça os melhores poemas de Fernando Pessoa e seus heterónimos.

10 melhores poemas de Fernando Pessoa
Os 10 melhores poemas de Fernando Pessoa e seus heterónimos
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A sua obra é um tesouro incrível da Literatura Portuguesa e os seus poemas obras de arte ímpares. Conheça os 10 melhores poemas de Fernando Pessoa e seus heterónimos.

Fernando Pessoa foi uma personalidade absolutamente fascinante e extremamente rica, que enriqueceu como poucos a história da Literatura Portuguesa. Teve muitos heterónimos, sendo os mais conhecidos e relevantes Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis.

Existiu, também, Bernardo Soares que foi definido pelo próprio Pessoa como um semi-heterónimo, tendo sido também chamado por ele de “personalidade literária”.

A obra de Fernando Pessoa é um tesouro incrível da Literatura Portuguesa e os seus poemas obras de arte ímpares.

Os 10 melhores poemas de Fernando Pessoa e seus heterónimos

10 melhores poemas de Fernando Pessoa
Os 10 melhores poemas de Fernando Pessoa e seus heterónimos

Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio

Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.

Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos

Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.

(Enlacemos as mãos.)

 

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida

Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,

Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,

Mais longe que os deuses.

 

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.

Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.

Mais vale saber passar silenciosamente

E sem desassossegos grandes.

 

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,

Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,

Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,

E sempre iria ter ao mar.

 

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,

Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,

Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro

Ouvindo correr o rio e vendo-o.

 

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as

No colo, e que o seu perfume suavize o momento –

Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,

Pagãos inocentes da decadência.

 

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois

sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,

Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos

Nem fomos mais do que crianças.

 

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,

Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.

Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim – à beira-rio,

Pagã triste e com flores no regaço.

Ricardo Reis (1887-?)

10 melhores poemas de Fernando Pessoa
Os 10 melhores poemas de Fernando Pessoa e seus heterónimos

Segue o teu destino

Segue o teu destino,

Rega as tuas plantas,

Ama as tuas rosas.

O resto é a sombra

De árvores alheias.

 

A realidade

Sempre é mais ou menos

Do que nós queremos.

Só nós somos sempre

Iguais a nós-próprios.

 

Suave é viver só.

Grande e nobre é sempre

Viver simplesmente.

Deixa a dor nas aras

Como ex-voto aos deuses.

 

Vê de longe a vida.

Nunca a interrogues.

Ela nada pode

Dizer-te. A resposta

Está além dos deuses.

 

Mas serenamente

Imita o Olimpo

No teu coração.

Os deuses são deuses

Porque não se pensam.

Ricardo Reis (1887-?)

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Para ser grande, sê inteiro

Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és

No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda

Brilha, porque alta vive.

Ricardo Reis (1887-?)

10 melhores poemas de Fernando Pessoa
Os 10 melhores poemas de Fernando Pessoa e seus heterónimos

Sou um guardador de rebanhos

Sou um guardador de rebanhos.

O rebanho é os meus pensamentos

E os meus pensamentos são todos sensações.

Penso com os olhos e com os ouvidos

E com as mãos e os pés

E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la

E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

 

Por isso quando num dia de calor

Me sinto triste de gozá-lo tanto,

E me deito ao comprido na erva,

E fecho os olhos quentes,

Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,

Sei a verdade e sou feliz.

Alberto Caeiro (1889-1915)

(cont.)

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