Início Pessoas Tugu: a aldeia da Indonésia onde a alma portuguesa não morreu

Tugu: a aldeia da Indonésia onde a alma portuguesa não morreu

Na longínqua Indonésia fica uma aldeia onde a alma portuguesa não morreu e perpetuou-se na língua, na música e nas tradições.

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Mapa da Indonésia
Mapa da Indonésia

A aldeia de Tugu fica a poucos quilómetros da antiga Batávia, actual Jacarta, na Indonésia, mais precisamente na ilha de Java. Apesar destas regiões nunca terem sido colonizadas pelos portugueses, estas populações foram levadas para aquela região pelos holandeses, como escravos para trabalhar nas suas plantações, ou ainda, mais frequentemente como escravos para trabalhar nas casa.

Quando os holandeses conquistaram Malaca, Cochim, Ceilão, etc, os portugueses foram feitos escravos e transportados em grande número para outras possessões holandesas, como a Indonésia e até para a África do sul. Dos casamentos com mulheres portuguesas, os holandeses viram-se forçados a ter que aprender o chamado português corrupto, tanto para a vida domestica como no trato com os povos locais.

Na Batávia, como em Tranquebar (possessão dinamarquesa na costa oriental indiana, Costa de Coromandel), o português não corrupto foi utilizado como língua litúrgica e foi até ensinado nas escolas. Existem inúmeras publicações, tais como textos litúrgicos, dicionários…

A comunidade de Tugu (Tugo ou Toegoe) tem sido reportada desde o século XVIII. A grande particularidade desta comunidade era o seu português. Segundo dados recentes, o ultimo falante de um crioulo indo-português do tipo próximo dos crioulos de Ceilão e do sino-malaio) morreu em 1978, no entanto a comunidade continua a manter vivas muitas particularidades típicas da indo-portugalidade: gastronomia, religião (catolicismo), música do dia a dia.

Muitas músicas são ainda cantadas, apesar de já não serem entendidas. Como a Bastiana ou a Moresco, entre outras. A Contribuição de Tugu para a musica indonésia foi muito grande. A música nacional da Indonésia, o Krontjong ou keroncong, derivou das cantigas sonolentas e saudosas da aldeia de Tugu. O Cafrinho terá vindo com os indo-portugueses de Ceilão. E ainda hoje os melhores cantores de Krontjong continuam a ser requisitados da aldeia. É de notar que essa influência não se limitou ao estilo mas manteve-se também no vocabulário dos temas e nos instrumentos.

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