Somos muito morcões!

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Olho para este país e sinto-o apático, cabisbaixo, submisso. Doente. E não é só de agora. Há muitos anos que anda assim. Mas cada vez piora. Todos fazem gato e sapato dos portugueses. Lá fora e cá dentro.

A União Europeia manda-nos uma cacetada na cabeça e, como não reagimos, enviam três gatos pingados vestidos de preto para limparem o rabo aos nossos votos. Entretanto, os mercados chamam-nos “lixo”. Achamos bem. Afinal, lixeiras é o que mais há. Cá dentro, o desvario é total.

É a EDP com as disparatadas facturas que ninguém entende para nos sacar a electricidade ao preço do diamante lapidado. É a conta da água que mais parece um dicionário de taxas. São as operadoras a ameaçarem-nos de penhoras por contratos que nunca assinámos ou com a quebra da tal fidelização que faria corar os mais fanáticos esclavagistas.

Só a Autoridade Tributária que já penhorou 6.000 casas de família por dívidas que não compravam uma sanita em segunda mão.

Vão aos reformados e rapam-lhes a reforma, vão aos funcionários e cortam salários, andam três anos a discutir o aumento do salário mínimo de 50 cêntimos por dia, e ninguém dá um murro na mesa.

As Câmaras Municipais, desde que descobriram as virtudes curativas do IMI para as suas finanças, é um ver se te avias, e agora os proprietários passaram de senhorios a inquilinos do Estado. Que eu saiba, os proprietários também estão afónicos.

Ficamos agora a saber que 63,5% do orçamento do Ministério da Cultura é para financiar a RTP. Mas nos anos anteriores, também era assim. E os senhores da Cultura, que dizem? Que eu saiba nada. Julgo que acham bem.

É isto: gozam-nos.

Acho que toda a cambada especializada em nos infernizar a vida já percebeu que somos sapos: quanto mais levamos, mais nos encolhemos.

E todos nos gozam.

A começar pelos políticos, que também já perceberam que quanto mais nos mentem, mais nos abstemos. E quanto mais nos abstemos, mais eles engordam.

Todos? Claro que não. Há políticos honestos. A excepção que confirma a regra.

Por falar em excepção, digam-me lá o nome (um só, somente) de um político português que seja pobre…

Então? Não se lembram de nenhum? C’os diabos! Nenhum mesmo? Então, nem entre os 25% da população portuguesa que vive no limiar da miséria, e nos restantes 40% que vivem com dificuldades económicas, encontram o tal político pobretanas por amor à causa pública ?

Há ainda um mistério por desvendar: faliram Bancos como tordos, mas não sei de nenhum político que seja um “lesado” ou que neles tenha perdido as suas economias. Estranho…

Só nos gozam. A nós, os portugueses, agora atacados por esta paralisante modorra.

Depois de esgotar todos os manuais médicos na procura de nome para tal moléstia, desisti porque nada encontrei. Procurei no dicionário mais completo da Língua Portuguesa um termo que definisse este estado lusitano de lamentável preguiça. Nada.

Valeu-me a gíria da minha terra, o Porto, que neste particular de classificativos, tem soluções para tudo.

Morcões. É isto mesmo! Nem mais nem menos!

Acho que os portugueses são mesmo morcões.

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