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Só falta a mãe, de Ricardo Araújo Pereira

Tenho estado a reflectir e, pouco a pouco, começo a desconfiar que o meu filho Zezinho, que conheço vagamente, talvez seja um bocadinho aldrabão. Só falta a mãe, de Ricardo Araújo Pereira

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Só falta a mãe, de Ricardo Araújo Pereira
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Tenho estado a reflectir e, pouco a pouco, começo a desconfiar que o meu filho Zezinho, que conheço vagamente, talvez seja um bocadinho aldrabão. Só falta a mãe, de Ricardo Araújo Pereira

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Só falta a mãe, de Ricardo Araújo Pereira

Tenho estado a reflectir e, pouco a pouco, começo a desconfiar que o meu filho Zezinho, que conheço vagamente, talvez seja um bocadinho aldrabão.

Só falta a mãe, de Ricardo Araújo Pereira
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Durante muito tempo acreditei na teoria segundo a qual ele vivia muito acima dos seus rendimentos por eu ser milionária.

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Eu não me lembrava de ser milionária, mas a partir de uma certa idade é normal as pessoas esquecerem-se de pequenas coisas.

Além disso, ele tinha muito, muito talento para mentir. Era quase impossível suspeitar da integridade dele.

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Tirando a informação errada na biografia do Parlamento, a trapalhada da licenciatura, a pressão para que não se falasse na trapalhada da licenciatura, as suspeitas do caso Freeport, a tentativa de comprar os meios de comunicação que divulgaram as suspeitas do caso Freeport, o processo Cova da Beira, o processo Face Oculta e mais 10 ou 20 casos, ele era absolutamente insuspeito de ser mentiroso.

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Enganou-me bem, o pirata. Recordo com saudade a criança adorável que ele era, e os natais em que lhe perguntávamos: “Que presente gostarias de receber, Zezinho?”

E ele, muito inocente: “Fotocópias.”

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Quem poderia prever este desfecho? A explicação dele era tão simples e plausível: tudo isto começou por ser uma campanha negra da direita política. Depois, uma perseguição da justiça ao serviço da direita política.

A seguir, uma canalhice da imprensa, instrumentalizada pela justiça, ao serviço da direita política. E agora, uma cedência do PS à canalhice da imprensa, instrumentalizada pela justiça, ao serviço da direita política.

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(O meu filho diz sempre “a direita política”, porque é só essa direita que o persegue.

A direita futebolística, por exemplo, não lhe guarda rancor. Nem a direita dos lacticínios.) Mas, não sei porquê, começo a ter dúvidas.

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Por isso, decidi dar o exemplo e, com muita frontalidade, declarar aqui que, ao contrário do que se diz por aí, ele talvez não seja flor que se cheire.

Sei que vou contra a corrente, mas este é o momento de ser corajosa.

E tenho vergonha, claro. Muita vergonha. Ontem encontrei o Carlos César e o João Galamba, e organizámos mesmo um mini-campeonato de vergonha.

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Foi muito renhido, mas ganhou o João Galamba. Ele estava com uma vergonha imbatível. Níveis extremamente elevados de vergonha.

O Carlos César obteve um honroso segundo lugar. Mas nessa altura eu fiquei com vergonha de ficar em último naquele torneio de vergonha e esse suplemento de vergonha por não ter suficiente vergonha, curiosamente, catapultou-me para primeiro lugar.

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O meu filho, neste momento, parece ser o único que não tem vergonha. Mas acredito que já tenha pedido dinheiro emprestado para ir comprar.

Autor: Ricardo Araújo Pereira in Visão
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