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Sete palavrõezinhos do português

Sim, aquelas palavras que vêm em auxílio do nosso cérebro quando nos cai a boca para o palavrão e não queremos dizer as sílabas todas…

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Sete palavrõezinhos do português
Sete palavrõezinhos do português

Sete palavrõezinhos do português

Marco Neves
Marco Neves

Apetecia-me apresentar-vos a origem de alguns palavrões, mas isso pede-me algum tempo que por estes dias não tenho. Pois, sendo assim, lembrei-me de vos trazer os meus palavrõezinhos preferidos.

Sim, aquelas palavras que ou são velhos palavrões que perderam a força ou são palavras com alguma afinidade fonética com algum palavrão e que vêm em auxílio do nosso cérebro quando nos cai a boca para o palavrão e não queremos dizer as sílabas todas…

Bolas

«Bolas.» Não sei muito bem donde virá este palavrãozinho, mas é bem possível que tenha começado como um grande palavrão. Pois, de caminho, lá foi perdendo força. Não sei — talvez esteja enganado e a palavra nunca tenha tido nada a ver com o que todos estamos a pensar. Ora bolas!

Chiça

«Chiça.» Chiça penico — e pronto, lembro-me do Shrek. Andei à procura da origem desta palavra, mas não encontrei nada de jeito. Terá alguma coisa a ver com a Scheisse alemã? Poderá um palavrãozinho tão português ter origem bem germânica?

Caraças

«Caraças.» Dá muito jeito, então não dá? Uma pessoa começa a dizer «ca…» e acaba doutra maneira, para não ficar atrapalhado. É uma palavra do caraças! E serve para quase tudo: é pior que o caraças, vai pò caraças, caraças, pá!

Carago

«Carago.» Será que as gentes do Norte dizem mesmo «carago» muitas vezes? É que eu cá nunca os vi a evitar outras palavras um pouco mais fortes. Não será uma caricatura sulista e os nortenhos, na vida real, dizem sempre a outra palavra? Fica a pergunta…

Fogo

«Fogo.» E aqui temos outra palavra que começa exactamente como um certo palavrão. Damos com um dedo na porta e dizemos «FO…» e mais calmos acabamos em «…go». É para isto mesmo que servem os palavrõezinhos. Se o dedo estiver mesmo partido, aconselho vivamente acabar em «…da-se». Dizem que faz bem.

Fónix

«Fónix.» Sim, eu sei: no fundo este é outro dos palavrõezinhos do tipo «fo… deixa-me lá arranjar outra palavra para não parecer mal». Mas sempre lhe achei muita piada: pois lembra-me fénix, como se tal ave ressuscitasse das cinzas e lhe saísse um «fónix, outra vez?». Delírios muito meus, claro está. Ah, sim, eu sei que fénix termina com o som «ch», mas o que querem? O raio da palavra tem lá o «x»…

Raisparta

«Raisparta!» Há muitos, muitos anos, ia eu muito bem pela estação de Entrecampos com o meu amigo Luís ao lado quando passa um comboio da Fertagus e apita mesmo ali ao pé de nós. Dei um salto e sai-me este grande palavrão: «Raisparta!» Gritei de tal maneira que o Luís se virou de lado e disse: «Agora grita aqui no outro ouvido, que é para ficar surdo dos dois.» Fiquei sem saber que raio de cérebro tenho eu que preferiu um «raisparta» a um bom «f…». E também não sei se o maquinista fez de propósito ou não…

Para outro dia ficam os palavrões mesmo a sério. Mas hei-de aqui escarrapachá-los — e até espero não perder muitos leitores! (No entretanto, não se esqueçam daquele segredo da língua em que tento explicar por que razão os palavrões nos põem o coração aos saltos — é o 9.º, se bem me lembro…)

E, já agora, qual é o vosso palavrãozinho preferido?

Autor: Marco Neves

Autor dos livros Doze Segredos da Língua PortuguesaA Incrível História Secreta da Língua Portuguesa e A Baleia Que Engoliu Um Espanhol.

Saiba mais nesta página.
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