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Se Lisboa abanar, cai como Amatrice?

Estarão os edifícios da cidade preparados para resistir aos abalos? Um sismo com a energia do de Amatrice em Lisboa não é um cenário assim tão improvável.

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Se Lisboa abanar, cai como Amatrice?

Um sismo com a energia do de Amatrice em Lisboa não é um cenário assim tão improvável. Estarão os edifícios da cidade preparados para resistir aos abalos?

Há mais de um ano Itália tremeu com força. Enquanto dormiam, os habitantes de várias vilas e cidades dos Apeninos foram surpreendidos por um sismo com magnitude 6,2 na escala de Richter, cujas consequências só a luz do dia revelou plenamente. Centenas de edifícios dos quais não sobrou nem sequer uma parede, pelo menos 300 mortos e milhares de desalojados.

Um cenário tristemente habitual para os italianos, que ainda têm na memória o grande abalo de 2009, que arrasou L’Aquila e provocou praticamente o mesmo número de vítimas. Estes estão entre os sismos mais mortíferos em Itália. Mas, dizem os especialistas, qualquer um deles teria tido consequências muito piores na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Não se sabe quando nem com que força, mas é ideia consensual entre os cientistas de que a terra vai voltar a tremer em Portugal com intensidade. É tão certo como o interior da Terra estar sempre em atividade e as placas tectónicas em constante movimento. “Na região do vale inferior do Tejo existe um sistema de falhas ativas complexo”, refere João Cabral, investigador no Instituto Dom Luís, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Este sistema ainda está mal estudado, mas algumas das falhas já estão identificadas e preocupam os especialistas: a do Pinhal Novo — Setúbal (que não tem muita atividade sísmica), a de Vila Franca de Xira (com cerca de 20 quilómetros), a de Porto Alto (em pleno estuário do Tejo) e a da Azambuja. A de Vila Franca de Xira poderá mesmo ter sido responsável por um grande sismo em 1531, que se estima ter sido quase tão devastador como o terramoto de 1755.

O que é a escala de Richter?

A escala de Richter é uma escala de magnitude que mede a energia libertada por um sismo a nível local ou regional. Esta é uma escala logarítmica e não tem um máximo definido. A diferença entre dois valores inteiros na escala, por exemplo 3 e 4, significa que a amplitude das ondas sísmicas é 10 vezes maior e que a energia libertada é 32 vezes maior.

Tanto João Cabral como João Carvalho, geofísico e técnico superior do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), afirmam que um sismo com origem numa das falhas deste sistema poderá ultrapassar a magnitude 6 — ou mesmo chegar a 7.

Um terramoto deste tipo pode deixar marcas profundas na cidade de Lisboa, mas também na península de Setúbal, no vale de Santarém ou mesmo na zona Oeste. “Um sismo desta magnitude terá certamente um forte impacto na região, maior ou menor dependendo da localização do sismo relativamente aos principais aglomerados populacionais, vias de comunicação e centros industriais”, refere João Cabral.

Um impacto que se fará sentir na perda de vidas humanas, na queda de edifícios, na destruição de vias públicas, com consequências económicas para todo o país.

“Quanto maior a falha, maior o sismo que produz”

São as características geológicas do local, como o tipo de rochas, a existência de falhas, o contacto de placas ou mesmo a presença de vulcões, que ajudam a calcular a perigosidade sísmica de uma determinada região. Mas este é apenas um dos componentes da medição do risco sísmico. É que dois sismos de magnitude 6, um numa cidade e outro num deserto, não têm o mesmo impacto. Há que ter em conta dois outros fatores: a exposição e a vulnerabilidade.

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1 COMENTÁRIO

  1. O Terramoto de 1755 bem demonstrou que Lisboa está assente sobre placa tectónica muito activa e perigosa. Aproveito a oportunidade para, se for possível, reenviarem o artigo sobre a história de Coimbra, capital de Portugal cerca de 200 anos. Obrigado

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