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Sabe como se faz o vinho do Porto?

É a bebida embaixadora de Portugal e tem séculos de história. Vamos explicar-lhe como se faz, quantos tipos de vinho há e porque duram tantos anos.

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Que tipos de vinho do Porto existem?

O vinho do Porto resulta do blend de vários vinhos de um ou mais anos, processo que garante uma qualidade consistente aos néctares e que ajuda a marca a definir um estilo. Para criar um Porto é sempre preciso identificar o estilo de vinho pretendido e selecionar as uvas a serem misturadas. Tradicionalmente, os vinhos novos passam os meses de inverno no Douro e só depois são transportados para as caves de Gaia, onde o processo de maturação é continuado.

Falando em envelhecimento, os vinhos que são desenhados para manter características jovens durante mais tempo — como o Ruby ou o Porto branco — são armazenados em cascos ou tonéis de grandes dimensões, enquanto os vinhos que podem tirar maior vantagem de uma evolução mais rápida (como aqueles que dão origem aos Tawny) têm como destino cascos mais pequenos. É fácil de perceber porquê: quanto maior for a barrica, menor é a quantidade de oxigénio e mais lenta será a evolução do vinho.

Os vinhos do Porto podem ser divididos em duas categorias consoante o tipo de envelhecimento:

Tawny
O envelhecimento é feito em madeira, em pipa. Das uvas tintas nasce um vinho cor de ouro (apesar do tom ser variável consoante a sua evolução — tinto-alourado, alourado ou alourado-claro). Estes vinhos resultam do blend de vários anos e os seus aromas lembram os frutos secos e a madeira. Existem as seguintes categorias: Tawny (vinhos sem qualidade suficiente para envelhecer muito mais e que facilmente se encontram no mercado a um preço acessível), Tawny Reserva, Tawny com Indicação de Idade, de 10, 20, 30 ou 40 anos (um Tawny de 10 anos é um blend de vinhos cujas características de prova são de um vinho com essa idade; normalmente, a idade média do lote é superior a isso) e Colheita, de um ano específico. Os vinhos deste estilo estão prontos para serem consumidos depois de engarrafados.

Ruby
Aqui, o envelhecimento já é feito em garrafa. Os Ruby, também à base de uvas tintas, correspondem a um perfil de vinhos mais jovens, naturalmente ricos e com aromas frutados muito intensos. Neste tipo de vinhos, por ordem crescente de qualidade, inserem-se as categorias Ruby (néctares que não envelhecem e que podem ser de imediato postos à venda), Reserva, Late Bottled Vintage (sem qualidade suficiente para serem declarados Vintage; são obrigatoriamente engarrafados entre o quarto e o sexto ano) e Vintage, vinhos que são engarrafados entre o segundo e terceiro ano. O Vintage e, em menor grau, o LBV envelhecem bem em garrafa.

Há enólogos que dizem que os Ruby são obra de Deus e com mão do homem, enquanto os Tawnies são obra do homem e com mão de Deus.”  Manuel de Novaes Cabral, presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto

Há ainda os vinhos brancos e os rosé:

Branco
Proveniente de uvas brancas, é possível encontrar Porto branco muito seco, seco, meio seco, doce ou lágrima (muito doce) — os estilos variam consoante os períodos de envelhecimento e os diferentes graus de doçura. Alguns vinhos podem mesmo entrar nas categorias especiais (Reservas ou com Indicação de Idade), mas a grande maioria corresponde a néctares novos, com uma média de três a quatro anos. Sérgio Antunes, o escanção de serviço, esclarece que os brancos envelhecidos têm vindo a ganhar mercado e diz que, até há pouco tempo, não havia o hábito de os consumir.

Rosé
O vinho de cor rosada é obtido, segundo o IVDP, através uma maceração pouco intensa das uvas tintas, um processo durante o qual “não se promovem fenómenos de oxidação durante a sua conservação”. São vinhos que devem ser consumidos novos e que apresentam notas de cereja, framboesa e morango.

Foto: © Ana Cristina Marques

A isso acrescenta-se a existência das categorias especiais, onde se inserem vinhos de “elevada notoriedade”, diz o IVDP. Estes podem ser: 

  1. Estilo Ruby (envelhecimento em garrafa): Porto Ruby Reserva, Porto Late Bottled Vintage (LBV), Porto Vintage (considerado por muitos a jóia da coroa dos vinhos do Porto) e Porto Single Quinta Vintage (distinguem-se por serem de um só ano e de uma só vinha);
  2.  Estilo Tawny (envelhecimento em madeira): Porto Tawny Reserva, Porto Tawny 10 anos, 20, 30 e 40 anos e Porto Colheita (Tawnies de uma só colheita, envelhecidos em cascos por um período mínimo de sete anos).

Depois de feitos, os vinhos vão logo para o mercado?

Não. Nesta fase segue-se o processo de certificação que tem como objetivo principal manter a qualidade e evitar falsificações. A responsabilidade cabe ao Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP), originalmente fundado em 1933 e que atualmente ocupa um edifício onde em tempos funcionou um banco — faz parte do Ministério da Agricultura e não tem qualquer relação com as casas produtoras de vinho na região.

Por aqui passam cerca seis mil vinhos por ano para serem certificados (três mil correspondem a vinhos do Porto e outros três mil são do Douro). Todos os néctares vão aos laboratórios do instituto, uma espécie de CSI dos vinhos, bem como à câmara dos provadores, onde acontece a maior parte das rejeições — se um Porto vintage falhar na prova, uma mesma versão pode ser enviada quatro anos mais tarde para se candidatar a um LBV. O IVDP está ainda a par do volume de produção anual de cada produtor.

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