Início Tradições Pastéis de Vouzela, uma iguaria dos deuses

Pastéis de Vouzela, uma iguaria dos deuses

Um dos segredos mais bem guardados da Beira Alta são os pastéis de Vouzela. A história e receita destes pastéis de massa tão fina como cabelos de anjos.

4036
Pastéis de Vouzela, uma iguaria dos deuses
Pastéis de Vouzela, uma iguaria dos deuses

Pastéis de Vouzela, uma iguaria dos deuses


_
Um dos segredos mais bem guardados da Beira Alta são os pastéis Vouzela. Conheça a história e receita destes pastéis de massa tão fina como cabelos de anjos.

Pastéis de Vouzela, uma iguaria dos deuses
Pastéis de Vouzela, uma iguaria dos deuses

A História

Pode afirmar-se com segurança que este produto já era confeccionado no início deste século por duas famílias tradicionais da vila de Vouzela, que terão herdado o saber fazer através dos tempos mantendo-o como segredo familiar.

Alguns defendem que esta receita é tão antiga como um convento cuja memória se perdeu no tempo. Atualmente, o saber fazer continua a passar de família para família, o que faz com que seja um segredo bem guardado.

Pastéis de Vouzela, uma iguaria dos deuses
Pastéis de Vouzela, uma iguaria dos deuses

No entanto, embora produzido com fins comerciais, as doceiras contemporâneas garantem utilizar o mesmo método artesanal que lhes foi ensinado pelas suas avós. Em roteiros desta região são usuais menções como «os pastéis de massa tão fina como cabelos de anjos… que gostaríamos todos os anos de poder provar».

A receita continua secreta. São fabricados atualmente por quatro famílias da vila de Vouzela segundo um método completamente artesanal, a partir de uma fina massa folhada, tendida e seca numa tela especial, onde reside o segredo.

Pastéis de Vouzela, uma iguaria dos deuses
Pastéis de Vouzela, uma iguaria dos deuses

São seguidamente recheados com ovos moles. Deste processo resulta um pastel com várias camadas de massa fina e estaladiça a envolver o recheio.

Pastel de Vouzela, o Príncipe da Beira Alta no Café Central

Uma das maiores maravilhas é encontrar um bolo de tal forma especial que todas as pessoas deviam degustar pelo menos uma vez na vida. Foi o que pensei quando provei o Pastel de Vouzela e agora a questão é: como é que eu não conhecia esta iguaria dos deuses? Sim, porque quem criou a receita deve ter tido “ajuda divina”, digo eu.

Este bolo é de uma graciosidade surreal, “concorrente” do Pastel de Tentúgal, dizem, outra preciosidade (quando bem confecionado). São idênticos, mas só na aparência exterior, porque a massa folhada e o recheio em nada são iguais.

Este Pastel de Vouzela que tive a felicidade de encontrar é vendido no Café Central e produzido por um produtor premiado, pois claro! Alguma coisa estaria errada se assim não fosse. São considerados os melhores Pastéis de Vouzela, por isso a receita é um segredo daqueles bem guardados, ao ponto de eu própria não poder revelar todos os pormenores da confeção, apesar de ter tido a sorte de assistir à mesma.

Pastéis de Vouzela, uma iguaria dos deuses
Fátima Martins com as Cavacas do Café Central – ©Diogo Agante

Antes de falar mais sobre o Pastel de Vouzela, apresento a proprietária do Café Central, Fátima Martins, com quem estive à conversa. O espaço pertence aos pais da Fátima há 40 anos. Desde criança que via os pais a confecionar a pastelaria e por isso considera que não existe nenhum bolo difícil de produzir.

Foram muitos os doces que experimentei, todos são confecionados pela Fátima, exceto os Pastéis de Vouzela. Vou falar dos que se destacaram para mim, podia cingir-me à “estrela” da reportagem, mas quando encontro e identifico qualidades na doçaria, é obrigatório mostrar!_

Não imaginam a “romaria” de turistas a que assisti, um local de passagem obrigatório para qualquer guloso, constatei agora.

Pastéis de Vouzela, uma iguaria dos deuses
Delícia de Amêndoa – ©Diogo Agante

Experimentei um bolo que merece ser divulgado, a Delícia de Amêndoa, uma criação da proprietária, esta Delícia faz jus ao nome. A massa exterior é a mesma dos Pastéis de Vouzela, mas com uma espessura maior.

É recheado de doce de ovos, confecionado com ponto de açúcar e gemas de ovos (verdadeiros, diga-se), depois leva por cima amêndoa laminada, vai a tostar ao forno e finaliza com açúcar em pó e canela. Custa 1€. Devia ter trazido uns quantos. Agora só quando regressar é que vou matar saudades.

Pastéis de Vouzela, uma iguaria dos deuses
Torta de Ovos Moles – ©Diogo Agante

Outro bolo delicioso, Torta de Ovos Moles é o nome. Uma massa de pão-de-ló recheada com doce de ovos e polvilhada com canela em pó. Digo que o creme é “doce de ovos” porque Ovos Moles para mim só em Aveiro e o sabor é diferente.

Na fotografia em baixo estão outros bolos muito apreciados na pastelaria, as Delícias de Leite. Também têm disponíveis delícias com outros sabores. Aqui no blogue encontram uma receita parecida confecionada por mim e que teve muito sucesso entre os gulosos, as queijadas de leite.

Pastéis de Vouzela, uma iguaria dos deuses
Delícias de leite – ©Diogo Agante

Voltei ao local de produção onde estive à conversa com Joaquim Rodrigues que começou há 42 anos a confecionar os pastéis de Vouzela. Aprendeu com a sogra Teresa Castanheira, que com 94 anos «ainda faz pastéis de vez em quando», e imaginem que os começou a produzir há 66 anos.

Foi com estes Pastéis que venceu, na categoria “massas folhadas ou fritas”, a terceira edição do Concurso Nacional de Doçaria Conventual Portuguesa. «Antes de receber o prémio, o maior elogio sempre foi e continua a ser as pessoas gabarem o que faço». Já lhe disseram que foi o melhor bolo que provaram na vida. Como eu percebo, posso afirmar que este bolo está no meu Top!

A ajudar o Joaquim na confeção está a mulher, Ermelinda Costa, o filho Carlos e a nora Cristina. «É fácil de fazer apenas para quem sabe, porque aprender é difícil», afirmou o produtor. Disse-me que todos os dias come «um Pastel de Vouzela acompanhado por um café, uma combinação perfeita».

Pastéis de Vouzela, uma iguaria dos deuses
Joaquim Rodrigues – ©Diogo Agante – Pastéis de Vouzela, uma iguaria dos deuses

A massa dos pastéis é confecionada apenas com farinha e água. «O segredo é a qualidade da farinha e saber trabalhar com ela. Saber o tempo que tem de repousar. Se a farinha não fosse de boa qualidade, a massa quebrava ao esticar», explicou o mestre Joaquim. É necessária  paciência para que seja esticada até ficar com a  espessura de uma folha de papel.

(cont.)

1 COMENTÁRIO

  1. O site revista NCultura nos conduz a caminhos admiráveis. Fã incondicional de VINHOS estou a erguer taça a sugestão de 65 bons vinhos portugueses a provar neste 2018. Desfrutarei do que for possível!

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.