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Palavrão a palavrão: de onde vieram as asneiras

Sabe de onde vem a palavra pê-u-tê-a? Esta é a história do "asneiredo" nacional. Palavrão a palavrão: de onde vieram as asneiras.

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Hábito ou não, os palavrões podem surgir nos contextos mais variados, dependendo da personalidade da pessoa e da situação em que esta se encontra. Uns preferem dizer asneiras entre amigos, outros até as deixam escapar no trabalho.  “Dizer palavrões é um hábito — uma convenção que se aprende –”, garante Timothy Jay. Apesar disso, existem pessoas que, devido à sua personalidade, têm uma tendência maior para  usar este tipo de palavras, “como os extrovertidos, personalidades de tipo A (os típicos stressados) ou os agressivos”.

Palavrão a palavrão: de onde vieram as asneiras
Palavrão a palavrão: de onde vieram as asneiras

Mas, regra geral, os palavrões surgem “em contextos emocionais e mais provavelmente ao pé de pessoas conhecidas”. Não existe uma regra definida, mas Timothy Jay acredita que existe uma espécie de etiqueta, que dita “quem, o quê, onde e quando” os palavrões podem ser ditos.

“A etiqueta determina a diferença entre o ser divertido e o ser ofensivo”, referiu o psicólogo. Isto porque, dizer palavrões, não é necessariamente bom ou mau. Depende da situação. “É positivo quando são usados para aliviar o stress, como substituto para a violência física ou para criar uma coesão social (o chamado team bonding). É mau quando é contra a lei — em situações de assédio sexual, em discursos de ódio, de discriminação, em ameaças ou obscenidades”.

Os palavrões e as crianças. Há algum mal nisso?

De acordo com um estudo realizado por Timothy Jay e Kristin Janschewitz, na altura de entrarem para a escola, os mais pequenos já têm um vocabulário de asneiras composto por 30 a 40 palavras. As primeiras asneiras costumam surgir ainda muito cedo — por volta dos dois anos de idade — e costumam ser uma preocupação para a grande maioria dos pais. Mas haverá mesmo motivo para preocupações?

“Não há nada que se possa fazer para prevenir que as crianças digam asneiras e não há nada que funcione ou que vá funcionar. Dizer asneiras é uma circunstância da vida moderna.”

Timothy Jay, psicólogo

Apesar de ainda não ter sido possível determinar o conhecimento que as crianças têm do significado dessas palavras, uma coisa parece ser certa — mesmo sem saber o que elas significam, os mais pequenos aprendem a usá-las com uma rapidez impressionante. Aos 11 anos, já sabem usar os palavrões como os adultos, refere o mesmo estudo.

“Todas as crianças ouvem palavrões. Ouvem-nos dos pais, dos irmãos e dos colegas. É um facto”, garantiu ao Observador Timothy Jay. “Não interessa o que os pais e professores façam para prevenir as crianças de dizerem asneiras. Quando crescerem, a maioria vai dizê-las. Por isso, encarem os factos: não há nada que se possa fazer para preveni-lo e não há nada que funcione ou que vá funcionar. Dizer asneiras é uma circunstância da vida moderna.”

Por estas razões, o psicólogo acredita que o mais importante é pensar nos motivos que levam uma criança a dizer asneiras. “Se é bom ou mau, depende do contexto. A maioria dos pais castiga os filhos quando estes dizem um palavrão e nem sequer perguntam porque é que isso aconteceu. Se calhar querem a atenção da mãe, foram provocados por outra criança, estão chateados com alguma coisa ou, simplesmente, ouviram uma nova palavra e querem ver o que o pai ou mãe irão fazer quando a repetirem.”

Palavrão a palavrão: de onde vieram as asneiras
Palavrão a palavrão: de onde vieram as asneiras

“O problema não é o palavrão per se“, defende Timothy Jay. “É apenas um sintoma ou uma reação a qualquer coisa. Não é necessariamente um problema, mas antes uma fase pela qual todas as crianças e todos os pais têm de passar.”

Autora: Rita Cipriano
Ilustrações: Andreia Reisinho Costa
Fonte: Observador
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