Os tomates do Inácio

Portugal é o paraíso dos penhorantes! E penhora-se tudo, por tudo e por nada.

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Portugal é o paraíso dos penhorantes! E penhora-se tudo, por tudo e por nada. São os Bancos e as cadeiras, é a NOS e a vos, é a MEO e o teo, e sei lá mais quem… Tudo penhora, minha gente, à pala de um tal PEPEX, anão linguístico de “Procedimento Extra-Judicial Pré-Executivo”, moda legal que permite penhorar sem intervenção dos Tribunais, e que mais não é do que uma maneira que a ex-ministra Paula descobriu para entregar milhares de processos a escritórios de solicitadores e agentes de execução, com a desculpa de que os Tribunais estavam pelas costuras!

Abençoado PEPEX que aliviou a Justiça!

Bendito PEPEX que tanto guito entregas aos credores! Só para a NOS marcharam 76 milhões ano passado.

Adorável PEPEX que permite a qualquer badameco devassar-nos os bens, contas bancárias, automóveis, gavetas de roupa íntima e armários de medicamentos.

Habilidoso PEPEX que nos penhora o que lhe apetece sem que a gente saiba!

Inteligente PEPEX que nos notifica a sério sem que tenhamos recebido carta nenhuma!

Óh inefável carrasco do meu sossego! Óh justiceiro cobrador das dívidas de 200 Euros que se inventam nos cantos lúgubres dos pobres credores. Óh PEPEX da minha alma!

E ainda bem que os Constitucionalistas de serviço andam a dormir, não vão eles descobrir que tu, PEPEX, és anticonstitucional, porque sendo o direito de propriedade um direito fundamental (Art.º. 62º da CRP), não poderá ser retirado pelos tais badamecos, mas unicamente pelos Tribunais, que são órgãos de soberania. Que sorte a tua, meu amado PEPEX! Até o sono é teu aliado!

A febre das penhoras, assolou o país. Culpa dos mosquitos. Porque isto de penhoras é provocado por um vírus que anda à boleia nos mosquitos – dizem. E que passa por picada a quem cheira àquela coisa que é o pousio predilecto das moscas – dizem também. Se assim for, cheira-me que o país está em risco de pandemia.

Depois de picados, os penhorantes entram em estado febril e, ou penhoram logo, ou estrebucham no chão com um ataque de choro estilo “quero o meu brinquedo, o brinquedo é meu”.

Mas não é moda nova. Noutros tempos já se penhorava. Como nesta história, do tempo em que a quinta pata do cavalo da Praça ainda estava no atelier do escultor.

Um lavrador, Inácio, foi ao Banco pedir algum para plantar a sua plantação. Ficou de fiança o terreno do plantio e o Inácio lá levou o dinheirinho.

Mas as coisas correram mal, o Inácio não pagou a dívida e o Banco resolveu penhorar-lhe o terreno. O problema é que o terreno era alugado e Inácio era somente o inquilino. Vai daí, um douto administrador avança com a genial ideia de, não se podendo penhorar o terreno, penhorar a produção do Inácio. Tudo resolvido, até ao dia em que se descobriu que a produção do Inácio era tomate.

O Conselho de Administração do Banco, mandou arquivar o assunto. O que seria se, no dia seguinte, se soubesse o que o Banco tinha penhorado ao Inácio?

Ai que jeito teria feito, naqueles tempos, um PEPEX.

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