Os Óscares e a brancura no Cinema

Há poucos assuntos que mais sejam falados como o racismo. Vêm aí os Óscares mais brancos de sempre.

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Há poucos assuntos que mais sejam falados como o racismo. E se ele é um facto em diversas sociedades, é na americana e na indústria do cinema em particular que mais recentemente o assunto é recorrente. Vêm aí os Óscares mais brancos de sempre. Será no dia 28 de Fevereiro que os Óscares vão ser atribuídos. Como sempre, com enorme repercussão. Com um grande senão – não há um só actor negro nomeado.

Por outro lado, será o comediante Chris Rock a fazer de anfitrião, o produtor será Reginald Hudlin, um negro, tal como o é a presidente da Academia das Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood que fará um pequeno discurso. Por isso se justifica a crítica feita por Viola Davis, da série “How to Get Away with Murder” ao aceitar um prémio pelo seu trabalho, “a diferença entre as mulheres de cor e as outras é a oportunidade”. De facto, foi ela a primeira negra a receber um Emmy como Melhor Actriz num Drama. Disse isso porque elas trabalham menos, fazem menos filmes, protagonizam menos filmes e séries de televisão. E têm escassíssimos papéis principais no cinema. Viola agradeceu ainda muito particularmente a Shonda Rhimes, a criadora de “Clínica Privada”, “Anatomia de Grey” e de “Scandal”. Com muita razão. Shonda deu até nesta última série em 2012 o papel principal a uma actriz negra, Kerry Washington, o primeiro numa série dramática de “primetime”.

Há também outra forma de ser racista no cinema. Circula no Facebook uma declaração do excelente actor argentino Ricardo Darin, recentemente galardoado com um Goya, em que ele faz saber, perante um entrevistador perplexo, que recusou um filme de Tony Scott porque o queriam para o papel de um perigoso traficante de droga. Esta tipificação é muito vulgar tanto no cinema como na televisão. Entre nós, temos o caso de Joaquim de Almeida, um actor que trabalha regularmente com os americanos, normalmente como mafioso ou traficante de droga.

Seja como for, virá o tempo em que a presença de negros, hispânicos ou asiáticos será normal e os actores serão escolhidos puramente pelo seu mérito. Mas enquanto Hollywood continuar a dizer que um negro não consegue rentabilizar como um homem ou mulher brancos, está a esconder os filmes de Eddie Murphy, Will Smith, Samuel L. Jackson, Morgan Freeman ou Denzel Washington, por exemplo. Só um problema – neste grupo de alta rentabilidade não há mulheres negras…

Pode-se contrapor que na música e no desporto, este problema não se põe tanto. É verdade. Sobretudo porque nestas áreas, são os números que mandam e não tanto o aspecto. No cinema, contudo, os maiores produtores são maioritariamente brancos, tal como os seus financiadores. Assim se compreende melhor o enorme mérito de Oprah Winfrey, talvez a mais bem sucedida negra no universo do espectáculo e actriz extraordinária em The Colour Purple ou em Beloved. E ninguém a segrega por ser negra. Nem se lembram que o é. Outras beneficiarão do seu sucesso.

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