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Os Mistérios do Croissant

Afinal este pão não é francês, foi levado para França por Maria Antonieta antes da Revolução Francesa. Conheça todos os seus mistérios.

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Os Mistérios do Croissant
Os Mistérios do Croissant

Os Mistérios do Croissant

Barrigudos, cansados, quase ridículos com as suas pontas atrofiadas, têm pouco estilo, estes croissants alinhados numa montra da Demel, a mais célebre pastelaria de Viena, no meio de centenas de especialidades da casa, como os “Esterhazyschnitte”, os “Sachertochte”, os “Spanische Windtochte”, magníficos no seu chocolate derretido, iluminados com morangos e frutas cristalizadas, sumptuosos de merengues imaculados!

E no entanto, se se acreditar na lenda, foi aqui, exactamente há 335 anos, que o croissant foi inventado como o símbolo triunfante da vitória dos austríacos e dos polacos sobre os otomanos. Estamos em 1683. Trezentos mil soldados turcos, sob as ordens de Karah Mustafá, que trouxe consigo as suas 1500 concubinas, cercam Viena.

Croissant Breakfast

Esta noite, decidiram entrar na cidade imperial cavando um túnel. Todos dormem. Todos excepto, aqui como em qualquer lado, e tanto hoje como ontem, os padeiros que saem de suas casas para ir acender os fornos. Intrigados pelos barulhos que ouvem no subsolo, dão o alerta aos defensores da cidade. O assalto é rechaçado, os turcos são derrotados e Karah Mustafá recebe de Istambul o fino laço de seda com que será estrangulado.

Leopoldo I, arquiduque da Áustria, concede então um certo número de privilégios aos valorosos padeiros que salvaram a cidade. Estes, para retribuir e imortalizar o acontecimento, confeccionam um “Hornchen”, em alemão “pequeno corno”, um pãozinho que recria a forma da lua crescente que figura nos estandartes do império otomano.

Esta lenda tem uma variante: em recompensa da sua coragem durante o cerco da cidade, um proprietário de um café vienense de origem polaca, um certo Kolschitsky, terá recebido alguns sacos de café capturados ao inimigo. Terá então tido a ideia de servir esse café acompanhado de um bolo em forma de crescente. Mas a origem do bolo será bem mais antiga, segundo alguns especialistas, como Marcel Derrien, co-autor de “La grande histoire de la pâtisserie-confiserie française”.

Fundamentando-se em particular nos trabalhos do professor alemão Mas Wahren, explica que as refeições sagradas dos assírios eram compostas por produtos de padaria em forma de crescente, e que o culto dos mortos na Pérsia implicava que os defuntos recebessem crescentes como presentes e garantia da ressurreição, e que, para os primeiros cristãos, o crescente tinha um significado eucarístico.

(cont.)

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