Os mercados e a democracia

Desculpem o tom azedo, mas este senhor Shauble tira-me do sério quando me tenta convencer que este caminho que tínhamos seguido até aqui é o único.

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Portugal, Itália, França, a Grécia, a Irlanda e até o Reino Unido, têm apontado outros caminhos para esta Europa, cheia de problemas, mas sempre com um político “avisado” a recomendar mais do mesmo, mesmo que seja evidente que não funciona.

Com os juros das dívidas públicas de novo a subir, ouvimos ontem o ministro das finanças da Alemanha com esta frase. “Portugal deve manter o anterior rumo, porque os mercados já estão nervosos”. Nunca votei nesses, nos mercados, mas lá me dizem que nos emprestam dinheiro e nos conseguem manter vivos. Mas não pagaremos também juros suficientemente altos para manter “gordinhos” os senhores que controlam esses mercados, com este poder supremo de nos pedirem logo mais, assim que ficam “nervosos”?

O que nos queriam afirmar é que não vale apena andar com essa chatice das eleições, das escolhas, dos debates sobre alternativas, do sugerir o direito a ter um salário digno num país onde a saúde e a educação não sejam um luxo e onde a justiça consiga ter força para desmantelar as teias de corrupção e tráfico de influências que tudo limitam.

Desculpem o tom azedo, mas este senhor Shauble tira-me do sério quando me tenta convencer que este caminho que tínhamos seguido até aqui é o único. Não, não é e a Alemanha vai também perceber isso. O que está a acontecer no DeutscheBank é só um dos sinais de quem nem tudo está bem na economia de Berlim, que pode também ser atingida pela tempestade… dos mercados, nervosos com coisas muito mais importantes do que Portugal.

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