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O que ensinava o guia feminino dos anos 90

Ir à caixa multibanco era perigoso e depilar as pernas com lâmina fazia mal. Veja algumas das dicas de beleza, moda e bem-estar dos anos 90.

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O que ensinava o guia feminino dos anos 90
O que ensinava o guia feminino dos anos 90

O que ensinava o guia feminino dos anos 90

Se hoje o digital é rei e rainha, nos anos 90 as revistas ainda eram o pico semanal ou mensal de muitas mulheres. Em Portugal a imprensa feminina teve o seu pontapé de saída em 1988, com a chegada da americana Elle e da Marie Claire (entretanto fechada), e ainda com a fundação da portuguesa Máxima, inspirada na Madame Figaro.

Em 1991, outra portuguesa dava as suas primeiras cartadas, a Activa, para uma mulher mais tradicional. Mas seria em 1992, com a chegada da americana Cosmopolitan, que a imprensa feminina iria sofrer uma revolução com os seus artigos de sexo sem tabus que foram, na altura, um escândalo mas acabaram por contaminar a restante imprensa.

Antes desta revolução, as mulheres dos anos 90 lembrar-se-ão de certeza dos guias especiais – os famosos Livros das Ideias -, propriedade da TV Guia Editora (na altura proprietária da, ainda existente, TV Guia e de outros guias e revistas).

Custavam 400 escudos e eram, basicamente, um guia para a mulher com ideias e dicas para todas as áreas da vida: decoração, filhos, casal, família, cozinha, saúde, moda e, claro, beleza. Fomos explorar o que ensinavam às portuguesas.

Segurança e qualidade de vida

Portugal até é um país seguro, mas havia a preocupação em agir sempre com precaução. Algumas das coisas que o Livro das Ideias nos ensinava era a não ir na rua com uma amiga a conversar sobre o nosso colar de pérolas. “Use as joias com precaução e, se possível, mande gravar o seu número de BI nelas. Claro que os ladrões o podem apagar, mas quantos mais obstáculos se lhes colocar, melhor.”

Como se gravar o BI nas nossas joias fosse um grande obstáculo, afinal. E um ato tão banal hoje em dia como ir a um multibanco era visto, na altura, como perigoso. “As caixas automáticas são muito cómodas mas só se não teve tempo de ir ao banco. Sempre que as utilizar, faça-o acompanhada por outra pessoa e evite usá-las à noite.”

Páginas dos exemplares 2, 3 e 4 dos Livros das Ideias que saíram durante a década de 90. Ao contrário das revistas femininas que trouxeram as modelos e as atrizes para nossa casa, aqui as páginas eram completamente ilustradas com desenhos.

Beleza e bem-estar criado na cozinha

Antes do mercado ser inundado por marcas internacionais e gadgets para tudo e mais alguma coisa como agora, a rotina de beleza de muitas mulheres era bem simples e com produtos disponíveis em casa.

Para lábios sensuais? Esfregá-los com uma rodela de abacate (e isto bem longe do abacate se tornar o fruto da moda nas redes sociais). Para endurecer os lábios e evitar botox? Franzir os lábios, formando um pequeno “o” e, de seguida, exercitar um riso rasgado e, imediatamente, voltar a fazer um “o”. E repetir várias vezes ao dia, que tal?

Para refirmar o pescoço? Esfregá-lo com pepino. E, na altura, ainda se achava que depilar os pelos com lâminas fazia mal. “Fazer apenas em casos de emergência, como uma viagem relâmpago ou um encontro amoroso inesperado”, dizia o Livro das Ideias.

E para apanhar sol, aconselhavam um protetor solar de FPS 15 ou 20 nos três primeiros dias de férias e de 2, 4, 6 ou 9 nos restantes dias ou quando já estivéssemos bronzeadas. Fator 50? Isso teria sido um choque naquela altura.

(cont.)

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