Não há razões para votar!

" Podemos sempre ficar em casa e deixar a decisão para os outros, mesmo sabendo que depois viveremos com um mundo desenhado por quem é eleito, sem a nossa participação."

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Não há razões para votar? Eu acho que sim.

Grande parte da opinião publicada olha para esta campanha como um desfile sem interesse, com falta de debate e de ideias mobilizadoras.

A observação não é nova. Foi assim na última corrida presidencial, acabando com a eleição de Cavaco Silva, com uma votação diminuta, diria mesmo demasiado pequena, para a escolha do mais alto magistrado da nação.

Será que não percebemos isso? Estamos a escolher o Presidente da República. Será ele o rosto deste nosso país, a imagem que nos leva a todo o lado. Será que isto, por si só, não é suficiente para olharmos para as propostas dos dez candidatos na corrida, descobrindo bem o caminho e as ideias de cada um? O eleito será o garante do respeito pela constituição, zelando pelo estado de direito e pela transparência da governação, o último recurso na salvaguarda da democracia.

Acho estranho este alheamento, quando o que está em causa é realmente importante. Mas não será também útil desinteressar os portugueses destas coisas, permitindo mobilizar apenas as clientelas, fieis no voto, elegendo quem mais interessa aos que apenas querem que tudo fique na mesma? Não será também isso que está a minar o melhor regime de todos, a democracia, empurrando os estados para uma realidade muito menos participativa, onde realmente vamos perdendo o nosso direito a escolher?

Cabe a cada um de nós decidir o caminho que realmente queremos para Portugal e quem queremos em Belém. Se não o fizermos, com seriedade, vamos alienando um pouco do que de mais importante conquistámos em Abril, a liberdade de nos candidatarmos a tudo e de escolhermos os melhores para nos governar.

Com o aumento da abstenção, temos assistido a uma degradação preocupante da qualidade de alguns governantes e dirigentes. Não nos adianta depois chorar e dizer mal, quando os que foram escolhidos não fazem o seu papel. Esta é a hora de escolher bem. As eleições são livres e para todos e é tão simples ganhar uma hora de bela consciência e ir votar no domingo.

Podemos sempre ficar em casa e deixar a decisão para os outros, mesmo sabendo que depois viveremos com um mundo desenhado por quem é eleito, sem a nossa participação.

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