Mães deviam ter bonificação no tempo de reforma

Mãe. Assunto sério. O mais sério de todos. A génese do mundo. Contudo...

1
1105

No nosso meio político, onde se decide a nossa vida, não há quem as defenda. O mundo político é um mundo machista, onde até as mulheres depois de eleitas, parece que lhes cresce a barba e um falo entre as pernas. Não sei se continuam mulheres por dentro, mas por fora são machos autênticos.

A natalidade em Portugal está em vias de extinção. Em sua defesa erguem-se vozes a grasnar, arbitrando as mais variadas soluções para o problema. A mais comum é a de atirar dinheiro em subsídios para cima dos bebés, dinheiro mixuruca que nem dá para o talco e as fraldas.

Talvez porque as nossas deputadas são novas, talvez não saibam o que foi ser mãe e ter agora 60 anos. Talvez não saibam o que é trabalhar e, ao mesmo tempo, criar um, dois, três ou mais filhos. Talvez não saibam que há anos atrás as mulheres rompiam a saúde a cuidar deles, no tempo em que não havia creches nem dinheiro para as pagar se as houvesse. Talvez não saibam o que é carregar os filhos ao colo às seis da manhã para os deixar numa ama mal-amanhada, e correr a maratona para chegar ao relógio de ponto antes das nove.

Não. As nossas deputadas não sabem nada. Vestem calças e coçam o entrepernas, falam grosso e bebem café com bagaço.

Inúteis. Nem sequer, em nome da mulher que vai ser assassinada esta semana vítima de violência doméstica, sabem parir a porcaria de uma lei que seja minimamente eficaz.

Dos machos políticos, já nem me queixo, porque sei que mãe, para eles, é aquela que vão visitar ao Lar de Idosos para dar o beijo semanal.

Mas às mulheres políticas, não perdoo o facto de não defenderem as mães. Especialmente as mães que agora se vêm obrigadas a continuar a trabalhar para lá dos 60. Elas, que de tempo de serviço levam séculos contados. Alguém sabe como se contabiliza o tempo gasto em criar os filhos, no tempo em que os maridos embarrigavam de cerveja a ver futebol e ainda pediam à esposa para lhes tirar os sapatos e calçar os chinelos? Anos a fio sem fins-de-semana? Sábados a lavar roupa e a limpar a casa? A vestir, dar de comer, vigiar, educar, deitar os filhos? E ao fim do dia ainda ter que aturar um marido excitado pela capa clandestina da Playboy, que exigia o cumprimento dos deveres matrimoniais.

E as mães de hoje? Que incentivo pode haver ao terem que carregar dois fardos pesados: a selvajaria do actual mercado de trabalho e as responsabilidades de optarem ao mesmo tempo pela maternidade?

Mas há um mínimo que as senhoras deputadas podem fazer em nome dessas mães que ainda têm de trabalhar, depois de terem criado um ou mais filhos. Por essas e pelas de hoje.

Medida simples, justa, não o bastante, mas que já atenuava os anos de cansaço quando se dividiam entre o emprego e a educação dos filhos. E compensaria tenuemente a opção de abdicar de muita coisa para ser mãe, algum reconhecimento por darem continuidade à espécie humana.

Bastava bonificar, em contagem do tempo de serviço para efeitos de aposentação e reforma, o acto de ter e criar os filhos. Por exemplo: dois anos por um filho, três anos por dois filhos, quatro ou cinco por três filhos, e por aí adiante. O que entendessem.

Seria pedir muito às senhoras deputadas que se deixassem de tretas e defendessem a sério as mães portuguesas?

1 COMENTÁRIO

  1. Muito bem observado. Muitas das mães depois da reforma, muitas vezes depois dos 75, continuam a apoiar os filhos e os netos e a executar todas as tarefas domésticas e não só, para conseguirem fazer face às despesas. Todos sabemos como são a maioria das reformas deste Paíd

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here