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Lembra-se como foi a abertura do Amoreiras há 32 anos?

Ao Amoreiras chegava gente de todo o lado para andar nas escadas rolantes, comer hambúrgueres, deslizar carrinhos de supermercado... Era como entrar num palácio.

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Lembra-se como foi a abertura do Amoreiras há 32 anos?
Lembra-se como foi a abertura do Amoreiras há 32 anos?

Lembra-se como foi a abertura do Amoreiras há 32 anos?

Em vez de paredes tinha janelas de vidro espelhado, escadas rolantes, restaurantes, supermercado. Era o lugar mais “trendy” de um país que entrava no maravilhoso mundo dos centros comerciais: o Amoreiras.

Vinha gente de todo o lado para andar nas escadas rolantes, comer hambúrgueres como nos filmes americanos, deslizar carrinhos de supermercado aos domingos à tarde sob aquela luz fria, envolto numa temperatura ambiente agradável e invariável. Era como entrar num palácio que só fechava à meia-noite e abria aos fins de semana. Dois andares de lojas hiper-modernas, restaurantes, supermercado, correios, bancos e até uma capela… para que os mais religiosos se redimissem do pecado do consumo.

Já não se vinha a Lisboa ver os Jerónimos nem a Torre de Belém. A partir de 27 de setembro de 1985, vinha-se a Lisboa para ver as três torres de Tomás Taveira, sob as quais nasceu o maior centro comercial do país e o quarto maior da Europa. Com ele nascia também um novo Portugal, moderno, cosmopolita. Os amanhãs cantantes da revolução de abril renasciam, dez anos depois. Afinal eram feitos de vidro espelhado, cores garridas, lojas de marcas internacionais e supermercados abertos ao domingo.

O centro comercial das Amoreiras representava um novo conceito de consumo designado “comércio integrado”. A premissa era a agregação de múltiplos tipos de comércio e serviços num mesmo espaço que funcionaria como uma pequena cidade sob um complexo de habitação e escritórios. Tomás Taveira pontificava com a sua arquitetura pós-modernista e desenhava três torres que simbolizavam uma dama a ser defendida por dois cavaleiros.

Nos anos seguintes muito se haveria de escrever sobre Taveira e o seu megalómano e arrojado projeto que ganhou o prémio de arquitetura Valmor 1993.

Pensado para atrair um público de classe média-alta, o Amoreiras foi o espaço escolhido para a estreia em Portugal de marcas como a Hugo Boss e a Guess. Abriu apenas um ano antes de Portugal entrar para a então CEE e durante a década de 90 continuou a ser o lugar mais trendy do país, até porque o Chiado tinha ardido e os pequenos centros comerciais de bairro, como o Imaviz ou o centro Comercial de Alvalade, não tinham dimensão para competir com aquelas torres a comandarem a sky line da capital.

Durante estes anos, o Amoreiras era o cenário escolhido para aparecerem as figuras públicas e para se fazerem diretos televisivos. Quem viveu nos anos 90 passou de certeza pelas lojas de culto que foram as Amarras, a Tafetá, a Strauss, a Labrador, a El Charro, a Triudus, a Charlot, a Materna, a Sempre em Festa, a Cenoura, a Bodum, a Yellow Cab, a Patanisca… Espaços de culto, lojas que marcaram o estilo dos lisboetas no final dos anos 80, início dos 90.

Em setembro de 1997 abria finalmente o grande concorrente — o Centro Comercial Colombo — e o país mergulhava na vertigem da Expo 98. Essa novidade, bem como a reabilitação do Chiado, fizeram com que o Amoreiras quisesse reforçar a sua identidade de coração alfacinha da cidade. Mas o ponto alto do trendy já não era ali e até as histórias do seu arquiteto se tornaram uma coisa de arquivo.

Com a inauguração do Colombo, o Amoreiras reforçou a ideia de estar no centro da capital alfacinha.

(cont.)

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