Ivan, o Terrível – O Déspota arrependido!

Devido às suas guerras, ao seu terrorismo político e aos seus vícios pessoais — incluindo o assassínio de um filho — o primeiro czar da Rússia é conhecido por Ivan, o Terrível.

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Ivan, o terrível
Ivan, o terrível

Ivan IV tinha apenas 3 anos quando sucedeu a seu pai, Basílio III, como Grão-Príncipe de Moscovo em 1533, e durante cinco anos, enquanto o rapazinho era educado nos assuntos do Estado, a mãe governou como regente. Mas quando esta morreu — possivelmente envenenada —, ele tornou-se o centro de uma luta pelo poder entre diversas facções de boiardos, ou aristocratas. Aos 13 anos, tomou uma atitude decisiva, ordenando que um dos rivais fosse aprisionado na sua presença e mais tarde executado.

Ivan, o Terrível
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Os bons tempos…

Felizmente, havia uma influência moderadora na pessoa de Makary, da Igreja Ortodoxa Russa. Aos 16 anos, Ivan seguiu o conselho de Makary em dois assuntos cruciais: a sua coroação como czar (forma abreviada de César) de todas as Rússias em 16 de Janeiro de 1547 e o casamento, passado um mês, com Anastásia Romanova. O objectivo de Makary era fazer de Moscovo o novo centro do cristianismo, a “terceira Roma” (depois de Roma e Constantinopla). “Duas Romas caíram”, dizia, “mas a terceira está de pé, e não haverá uma quarta.” Dizia-se assim que Ivan era não só o descendente directo do imperador romano Augusto, mas também o principal chefe temporal da cristandade. A fim de reforçar o seu projecto grandioso, Makary esquadrinhou os documentos da Igreja em busca de lendas de homens santos da Rússia e convocou dois sínodos para proclamar santos russos.

Ivan, o Terrível
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Além deste ressurgimento religioso, havia no ar reformas políticas. Orientado por um grupo de conselheiros, Ivan instituiu um novo código de leis, tentou melhorar as condições do serviço militar e deu maiores poderes aos governos locais.

Moscovo
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Quanto ao seu casamento, foi aparentemente feliz. Anastásia, que morreu em 1560, teve seis filhos, embora apenas dois tenham sobrevivido à infância. Exercia sobre o marido uma influência apaziguadora, ajudando-o a moderar os seus apetites por divertimentos imorais, pela bebida e pelos desportos cruéis e as suas arbitrárias demonstrações de poder.

Ivan, o Terrível
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… e o reino do terror

Deixando Moscovo entregue a Makary, Ivan partiu para uma guerra contra os Tártaros numa série de campanhas entre 1547 e 1552 que levaram à destruição do poderio destes invasores turcos e à anexação das suas terras ao longo do Volga. Regressando à capital em triunfo, disse aos boiardos: “Agora, já não vos temo!” Daí por diante, governaria como autocrata.

Moscovo
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Houve, no entanto, mais um último desafio dos conflituosos nobres. Quando Ivan foi atacado por grandes febres no princípio de 1553, os boiardos exigiram-lhe que nomeasse um sucessor para o caso de morte. Não desejando suportar outra regência em nome de um menor, eles rejeitaram a designação do filho de Ivan, ainda criança, Dimitri, e propuseram-lhe seu primo Vladimir. O czar manteve-se inflexível, convocou os boiardos para os seus aposentos e exigiu-lhes que beijassem uma cruz como preito de fidelidade a Dimitri. Quando recuperou, Ivan fez uma peregrinação de acção de graças a um santuário remoto.

Ivan, o Terrível
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A campanha seguinte de Ivan — uma tentativa de dar à Rússia uma saída para o mar Báltico — acabou num impasse e ele viu-se obrigado a pedir ao papa Gregório XIII que servisse de mediador entre ele e os seus adversários, a Polónia e a Suécia. De novo em Moscovo, a seguir à morte de Makary, em 1563, o czar procurou um poder ainda mais absoluto com a instituição do que se chamou a oprichnina.

Ivan, o Terrível
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Nesta bizarra reforma governamental, Ivan dividiu o seu reino em duas partes. Metade seria governada de forma tradicional com o apoio dos boiardos. Mas a outra — a oprich, ou parte da viúva — deveria ser tratada como sua propriedade particular, defendida por um exército de entre 1000 e 6000 homens. Para o povo russo, tudo isto se traduziu num reinado de terror, dizendo-se que o próprio czar participava na tortura e no assassínio dos seus opositores.

Ivan, o Terrível
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Um governante enlouquece

Em paralelo com o terrorismo estatal do czar, surgia o caos e a tragédia na sua vida familiar. Embora tivesse sido dedicado a Anastásia, anunciou, duas semanas após a morte desta, que iria casar novamente — desta vez procurando uma aliança política através do casamento com uma irmã do rei da Polónia, Sigismundo II Augusto. Quando Sigismundo o rejeitou, Ivan casou com uma beleza asiática de nome Maria, filha do governador circassiano Temgruk. O único filho de ambos, um rapaz, apenas viveu cinco semanas, e daí em diante Ivan deixou de se interessar pela sua mulher. Depois da morte de Maria, Ivan arranjou uma terceira mulher, Marfa, que morreu passados 16 dias, depois de uma união possivelmente não consumada. Houve rumores de envenenamento nestas duas mortes.

Moscovo
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Embora fosse contra as normas da Igreja, Ivan casou mais uma vez, com uma plebeia de nome Ana, dois meses depois da morte de Marfa. Ao fim de três anos, Ana, estéril, foi mandada para um convento. Duas outras esposas — amantes, aos olhos dos eclesiásticos, que as não aprovavam — seguiram-se em sucessão rápida antes de Ivan tomar como consorte, em 1580, Maria Nagaia, filha de um boiardo. No ano seguinte, ela dava à luz um filho, Dimitri (o primeiro Dimitri, filho de Anastásia, morrera).

Ivan, o Terrível
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Em 1581, o filho mais velho de Ivan, com o mesmo nome do pai, casou pela terceira vez aos 27 anos. As suas duas primeiras mulheres tinham sido banidas pelo czar, e a terceira, Elena, também não lhe agradava. Quando Ivan repreendeu a nora por imodéstia no vestir, o czarevitch interveio. Quando as vozes de ambos se levantavam, iradas, Ivan atirou-se ao filho com um bastão de ponta de ferro, ferindo-o mortalmente com uma pancada na cabeça.

Moscovo
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Subjugado pelo remorso, Ivan começou a compilar uma lista das vítimas do seu reinado de terror — lista que ultrapassava os 3000 nomes aquando da sua morte, em 1584. Cópias da lista, juntamente com donativos, foram enviadas aos principais mosteiros da Rússia com instruções para que se rezassem preces pelo repouso das suas almas.

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