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Franco quis invadir Portugal

“Como invadir e ocupar Portugal em 72 horas” era o sugestivo título do trabalho feito por Franco para ascender ao generalato.

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Franco quis invadir Portugal
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Franco quis invadir Portugal

Viajemos pela História e pela tenaz identidade de um pequeno país ibérico.

Quando Portugal e Espanha aderiram à CEE, dizia-se em Bruxelas, que “Portugal pediu para aderir à Europa, mas os espanhóis pensam que foi a Europa que pediu para aderir à Espanha”.

Salvaguardadas as devidas diferenças entre o tamanho e a capacidade negocial dos dois países ibéricos, a blague bruxelense retrata com humor algumas diferenças entre os dois povos, espécie de gémeos falsos que se acicatam entre si.

Foi no dia 12 de Junho de 1985 que Portugal assinou o Tratado de Adesão à Comunidade Económica Europeia (CEE).

A estratégia de negociação portuguesa foi marcada por um “acentuar das diferenças entre os objetivos de Portugal e os da Espanha no processo negocial”, disse o embaixador João Rosa Lã, que à época era o funcionário da nossa legação diplomática em Bruxelas responsável pelas relações com a Espanha: “Em meados de 1984, Mário Soares, que esperava que Portugal aderisse antes da Espanha, deu instruções para não aproximar” a nossa argumentação da do grande país vizinho.

TRÁGICOS OU QUIXOTESCOS?

A adesão à CEE mudou para sempre a relação entre portugueses e espanhóis, e quase que acabou com o velho ditado “de Espanha nem bom vento, nem bom casamento”.

Com o alargamento do número de [países] parentes, de 1986 para cá, os falsos gémeos deixam de funcionar no espaço ibérico para dialogarem num “quadro multilateral, em que [até] passam a ter uma relação diferente em termos de política de defesa”, diz Rosa Lã.

Península Ibérica

Para Miguel Real, “a Europa matou o iberismo; não faz sentido defender uma região na Europa” que mais não é do que um espaço/região maior: “Não deixamos de ser europeus por termos uma identidade histórica como povo ibérico, ou uma outra que passa pela afirmação contra a Espanha”.

Miguel de Unamuno

Basta lembrar que o poeta e ensaísta “Miguel de Unamuno falava no tragidismo português, no Portugal país suicida, referindo que quando colocados perante a mesma situação dos espanhóis, os portugueses entristecem melancolicamente e têm uma expressão trágica, enquanto o espanhol transforma a tragédia na ironia quixotesca”, lembra o filósofo e escritor Miguel Real.

(cont.)

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