Falas facebookês?

Dos perigos escondidos da Net. Falas facebookês? "... procuro estar atenta ao que este meio globalizante traz de positivo. Mas há muito que não se controla. Nem eu nem ninguém."

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Como qualquer pessoa que não teve os computadores como companhia na infância ou na juventude, tudo foi, para mim, uma aprendizagem. Agora estou muito melhor, a vida obriga a isso e eu gosto se me sentir actualizada. Não resolvo todos os problemas mas quase. E procuro estar atenta ao que este meio globalizante traz de positivo. Mas há muito que não se controla. Nem eu nem ninguém.

Um exemplo. Há alguém que insiste em pôr na minha página da wikipedia, que não foi iniciada por mim mas que procuro manter actualizada, uma série de referências heráldicas que não conheço e que são, quanto sei, falsas. E também insistem em querer falar nela de toda a família, como se fossem referências obrigatórias na página, mesmo numa pessoa tão independente como eu. Esta impotência minha perante o que a wikipedia permite, acaba por descredibilizar alguma informação que por vezes lá procuro. Será tudo fiável? Ou nem por isso? Já vi ataques difamatórios de vários tipos que só uma pessoa narcisista que vá lá todos os dias, poderia controlar. Vejo páginas de pessoas de relevo muito humildemente descritas e outras absolutamente medíocres com grandes textos. Há de tudo. Será esta liberdade democrática?

Com a entrada das redes sociais no topo das preferências de milhões, estamos ainda muito longe de saber o que é bom e o que é mau na partilha de informação pública, privada e até na opinião. E é muito razoável que se questione cada “post”.

Escrevo sobre o Estado Islâmico? E, sendo mulher, se me tomam por alvo, sabido que “eles” não são nada meigos com elas? Escrevo sobre futebol? E se sou insultada por um adepto qualquer que não gosta do que escrevi sobre o seu clube? Escrevo sobre política? Sou carimbada logo como deste ou daquele partido. E se escrevo sobre a minha terra? O facto de divulgar o que alguns não querem que se saiba pode ser mal interpretado e virar-se contra nós.

Assim, se a divulgação permitida pelas redes sociais dos nossos gostos, ideias e, para muitos, até da vida privada, tem aspectos claramente óbvios e que recomendam bom senso, já os mais perniciosos, geralmente não imediatos, são aqueles que carecem de um estudo aprofundado.

Recentemente saiu uma sondagem em que os jovens confessam como as redes sociais são importantes nas suas vidas, os seus hábitos diários, o “bullying” informático, a gestão dos “amigos”. Reparei também que, curiosamente, detestam que os pais ponham fotografias deles em bebés. A sério? Esperem até serem pais e vão ver o que é o amor transbordante. Que, como se sabe, não pertence, de todo, só à esfera do Facebook. Felizmente.

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