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Existe um sotaque de Lisboa?

Como é perfeitamente entendível, existem variadíssimos sotaques espalhados por todas as regiões de Portugal. Mas será que existe um sotaque de Lisboa?

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Existe um sotaque de Lisboa?
Lisboa, Largo da Estrela (pintura de J. B. Durão)

Sim, todos os vossos amigos dizem o mesmo, que não têm sotaque, que isso é das outras regiões do país. Mas não é bem assim…

Agora, não me entendam mal: claro que sei bem qual o valor do sotaque considerado padrão. As pessoas podem e às vezes devem adaptar a pronúncia ao contexto.

Existe um sotaque de Lisboa?
Lisboa, Rua Augusta (pintura de J. B. Durão)

Há quem fale duma maneira com os pais e doutra com os colegas de trabalho (sem notar…), outros “perdem sotaques” (=ganham sotaques de regiões onde o sotaque é mais parecido com a pronúncia padrão) e ainda outros “ganham sotaques” (=ganham sotaques de outras regiões).

Existe um sotaque de Lisboa?
Lisboa, Praça do Comércio (pintura de J. B. Durão)

Tudo isso é verdade, complexo, e muito interessante. Mas nada disto implica que o sotaque de Lisboa não exista.

Deixem-me acabar por contar uma história sobre um amigo do meu pai que tem uma pronúncia de Peniche muito marcada. Alguns, cegos com a ideia de que o mundo se divide entre quem tem e quem não tem sotaque, acham que ele fala assim porque não sabe falar bem, coitado.

Existe um sotaque de Lisboa?
Lisboa, Restauradores (pintura de J. B. Durão)

Uma vez, estávamos os dois em Lisboa, quando ele se põe a imitar a pronúncia alfacinha. Digo-vos: era uma imitação perfeita! Ela sabia bem imitar o sotaque de Lesboa. Ora, como se pode imitar uma coisa que não existe?

Autor: Marco Neves

Autor dos livros Doze Segredos da Língua PortuguesaA Incrível História Secreta da Língua Portuguesa e A Baleia Que Engoliu Um Espanhol.

Saiba mais nesta página.
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1 COMENTÁRIO

  1. E que me diz de “E agora vamos ver o que é que é que é que a meteorologia nos trás para o dia de amanhã” , ouvido algumas vezes a uma apresentadora de um canal de televisão e a muitas lisboetas? Não seria mais fácil dizer apenas “o que” em vez daquela “gaguejada” ridícula ? Mas o pior é que essas ridícula moda já chegou à província (feminina) e já se nota a aderência de alguns homens, alguns deles também ligados às televisões (mas com menos “ques”).

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