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A estação espacial que pode cair em Portugal

Uma estação espacial vai cair do céu e pode ser no norte de Portugal. Conheça as 9 respostas para saber se deve ter medo.

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A estação espacial que pode cair em Portugal
A estação espacial que pode cair em Portugal - © Leo Delauncey Mailonline

A estação espacial que pode cair em Portugal

Uma estação espacial vai cair do céu e pode ser no norte de Portugal. Conheça as 9 respostas para saber se deve ter medo.

A estação espacial que pode cair em Portugal
A estação espacial que pode cair em Portugal

Vamos começar pelas más notícias: há uma estação espacial com o tamanho de um autocarro escolar em queda livre em direção à Terra, e uma das regiões onde é mais provável que possa cair é no norte de Portugal durante este fim de semana de Páscoa. Agora as boas: a probabilidade de se despenhar entre o Porto e o Minho, embora seja a maior de todas, não ultrapassa os 3% e, de qualquer modo, é altamente improvável que uma das peças lhe caia em cima do folar. Não há registo na História de qualquer pessoa atingida por uma peça de um veículo espacial em queda descontrolada em direção ao nosso planeta.

Tudo indica que a Tiangong-1, a estação chinesa que foi desativada há cinco anos e cujo nome significa “Palácio Celestial”, vá entrar na atmosfera terrestre algures entre esta sexta-feira, 30 de março, e domingo, 1 de abril. As estimativas mais recentes da Agência Espacial Europeia apontam o domingo de Páscoa como a data mais provável para o evento, mas as incertezas são tantas — em parte por causa do secretismo dos chineses — que não se sabe sequer o local exato onde o veículo vai cair. O melhor mesmo é ficar atento ao céu, mas permanecer afastado de qualquer pedaço da maquineta: é que a bordo dela está um químico corrosivo que pode causar desde tosse até convulsões e ferimentos profundos na pele.

O astrónomo Rui Agostinho, do Observatório Astronómico de Lisboa, explicou que a queda desta estação espacial é mais preocupante do que a queda de um simples satélite por causa da robustez que tem: um satélite tem de suportar apenas as forças extremas do lançamento para o espaço, por isso não precisa de materiais muito resistentes nem pesados. Mas a Tiangong-1 foi feita para receber missões tripuladas, por isso, alguns dos seus materiais podem ser robustos e fortes o suficiente para chegarem ao solo sem serem destruídos pela fricção, pelo desgaste e pelas temperaturas na ordem dos milhares de graus Celsius provocados pela atmosfera terrestre.

Por enquanto, não há nada que se possa fazer, a não ser esperar que a trajetória da Tiangong-1 seja rasante o suficiente para que, ao entrar na atmosfera da Terra, seja obrigada a percorrer durante mais tempo o percurso entre o espaço e o solo e, portanto, a ser mais massacrada pelo caminho. “É uma autêntica roleta russa”, descreve Rui Agostinho. O melhor mesmo é estar preparado para o que der e vier, por isso, veja as respostas a todas as suas perguntas aqui em baixo.

A Administração Espacial Nacional da China disse que a estação “parou de funcionar” e já não estava a enviar informações para os técnicos da agência espacial chinesa. Tiangong-1 estava assim em queda livre em direção à Terra.

1 – O que é que vai acontecer?

A estação espacial chinesa Tiangong-1 vai reentrar na atmosfera terrestre algures entre esta sexta-feira Santa e o domingo de Páscoa. Estima-se que grande parte do material não vá resistir à força de fricção nem às temperaturas extremas provocadas pela atmosfera, que funciona como um escudo que protege a integridade do planeta de objetos vindos do exterior. De acordo com a Agência Espacial Europeia, em meados de janeiro a estação estava numa órbita a 280 quilómetros de altitude, mas tem vindo a diminuir desde então.

A Tiangong-1 já não estava a funcionar. A estação espacial foi lançada para o espaço em 2011 e estava projetada para continuar ativa durante dois anos. Foi isso que aconteceu: em junho de 2013, a missão espacial tripulada Shenzhou-10 visitou a Tiangong-1 naquela que foi a sua última operação. Pouco depois, a máquina foi posta em suspensão para depois ser guiada para dentro do planeta de forma controlada.

No entanto, em março do ano passado, a Administração Espacial Nacional da China disse que a estação “parou de funcionar” e que já não estava a enviar informações para os técnicos da agência espacial chinesa. Tiangong-1 estava então em queda livre em direção à Terra. Desde então, a agência chinesa limitou os detalhes que tem partilhado com as outras agências espaciais.

2 – Qual é o trajecto da queda?

A Administração Espacial Nacional da China, que é a agência espacial chinesa, começou por dizer que a Tiangong-1 faria “uma reentrada controlada” na Terra: o controlo em solo iria assumir o comando dos motores, fazê-los disparar e depois utilizá-los para diminuir a velocidade da máquina até que as peças mais resistentes caíssem em segurança. A ideia era de que os motores fossem postos a trabalhar num momento específico da órbita que permitisse à estação espacial arder quase por completo ao atravessar a atmosfera da Terra. As peças mais resistentes iriam cair na região sul do Oceano Pacífico, longe de qualquer zona povoada.

Era algo parecido com o que mostra este vídeo, captado na reentrada controlada da Julio Verne ATV/Veículo de Transferência Automatizado 001 em 2008, o que devia acontecer com a Tiangong-1.


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Mas o plano saiu furado. Em março de 2016, a Tiangong-1 ainda estava completa, isto é, não tinha perdido nenhuma peça. Mas quando a estação espacial “parou de funcionar”, tanto quanto podem confirmar as agências internacionais, o controlo em terra deixou de ter acesso aos motores e a reentrada na atmosfera deixou de poder ser comandada pelos técnicos. Tiangong-1 passou a cair “de forma descontrolada” em direção à Terra.

Quando a China notificou as Nações Unidas do que estava a acontecer, explicou por pontos o que iria fazer a partir dali. Em primeiro lugar, prometeu “rastrear e monotorizar de perto” a estação espacial para conhecer o desenvolvimento orbital da máquina e, em função dele, “publicar uma previsão oportuna da sua reentrada” terrestre. Essa operação está a ser possível graças aos dados enviados à agência espacial chinesa pelo Comité Inter-Agências de Coordenação de Detritos Espaciais.

(cont.)

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