Início Histórias O que está por trás dos 300 sismos dos Açores

O que está por trás dos 300 sismos dos Açores

Centenas de sismos que abalaram os Açores esta segunda tiveram origem na mesma falha que destruiu São Miguel há quase 500 anos. A crise pode durar meses.

1036
O que está por trás dos 300 sismos dos Açores
O que está por trás dos 300 sismos dos Açores

O que está por trás dos 300 sismos dos Açores

Centenas de sismos que abalaram os Açores esta segunda tiveram origem na mesma falha que destruiu São Miguel há quase 500 anos. É improvável que haja consequências graves, mas a crise pode durar meses

Os cerca de 300 sismos que têm abalado o arquipélago dos Açores desde a madrugada de segunda têm origem na mesma falha tectónica que, em 1522originou um terramoto catastrófico que destruiu quase toda a população de Vila Franca do Campo, alterou completamente a ocupação da ilha de São Miguel e originou um tsunami, explicou Miguel Miranda, presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

A hipótese de tsunami “é real” na atualidade, mas pouco provável: “Os sismos teriam de ter uma magnitude muito superior e serem registados muito mais à superfície para que isso aconteça”, explicou o geofísico.

As crises sísmicas nos Açores não são estranhas, ressalva Miguel Miranda: “A atividade sísmica não é homogénea e não acontece em intervalos regulares de tempo. Muitas vezes agrupam-se no tempo e no espaço”, disse.

É isso que tem acontecido nos Açores, tão habituada à elevada atividade sísmica que o mapa sísmico do IPMA nem sequer tem representados os terramotos de magnitude inferior a 2,0 na escala de Richter no arquipélago.

De acordo com dados do Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores, desde as 23h47 do domingo passado que foram registados “mais de três centenas de sismos” com magnitude entre 1,9 e 3,2 na escala de Richter.

O presidente do IPMA já confirmou que esta crise sísmica pode prolongar-se “seguramente durante dias, até semanas e possivelmente meses”.

A atividade sísmica nos Açores é considerada alta, não só porque há uma grande frequência de tremores de terra no arquipélago, como também por causa da magnitude desses sismos. Tudo isso acontece porque os Açores ficam mesmo por cima dos limites de três placas tectónicas: a euroasiática, a norte-americana e a africana.

Entre a placa euroasiática e a placa norte-americana existe um limite divergente, isto é, elas afastam-se uma da outra e permitem que o magma que existe por debaixo da crosta terrestre suba para a renovar: é na zona desse afastamento, chamada Dorsal Médio-Atlântica, que a crosta terrestre se recicla, provocando uma grande atividade sísmica e vulcânica.

O Ponto Triplo e a falha do Congro

Enquanto isso acontece, a uma velocidade de cinco milímetros por ano, a placa africana vai-se afastando da placa norte-americana mas chocando e raspando contra a placa euroasiática.

No entanto, não há consenso sobre o que acontece exatamente entre a placa africana e as outras duas para afetar tanto a sismologia açoriana: “Não parece haver uma estrutura tectónica única e bem definida entre a Eurásia e a África na região dos Açores, mas antes uma larga faixa de acomodação de tensões entre essas duas placas“, explicou o geólogo José Madeira num estudo sobre a tectónica de placas associada a esse arquipélago.

(cont.)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.