Os melhores fotógrafos portugueses: Hugo Só!

Arquitecto de formação, fotógrafo por paixão. Dono de uma invulgar capacidade de observar, assim é o fotógrafo Hugo Só em entrevista ao ncultura.pt.

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Hugo Só - Old Scene

Na senda dos melhores fotógrafos portugueses, abrimos esta nova rubrica com um trabalho que não deixa ninguém indiferente. Há quem afirme que os grandes fotógrafos fotografam com o coração. E nós também acreditamos que sim. Procurando saber mais sobre este mundo tão poético e apaixonante, fomos ao encontro de Hugo Só, arquiteto de profissão e fotógrafo por paixão.

Hugo Só
Hugo Só
  1. Nome, a origem

O meu nome é Hugo Amendoeira, mas assino os meus trabalhos como Hugo Só, este “pseudónimo” surgiu ainda na faculdade devido a uma brincadeira com um professor, mais tarde e na fotografia, visto ser uma arte que me faz perder no tempo e no espaço percorrendo um caminho maioritariamente sozinho influenciou a escolha.

  1. Como e quando começou esta paixão? Quais foram os primeiros passos, o primeiro contacto com a fotografia?

Bem a fotografia, sendo uma arte visual, penso que esteve desde sempre na minha vida, mas em 2011 tinha a necessidade de comprar uma máquina que permitisse ter uma lente grande angular para me ajudar na minha área profissional, depois comprei uns livros, inscrevi-me nuns sites e comecei a partilhar por forma a ser criticado e evoluir e até hoje é assim.

Hugo Só - Chocolate
Hugo Só – Chocolate
  1. O que o motiva a fotografar?

Tudo. A fotografia para mim é um escape, não sou profissional, isto é, não ganho dinheiro com a fotografia, mas o rigor e a dedicação que tenho é como se o fosse. Por outro lado, para mim, o ato de fotografar é como ir a um psicólogo, acabo sempre por chegar a casa aliviado, como se os problemas estivessem reduzidos ou não existissem por completo e mesmo que não consiga fazer fotos nesse dia a sensação é de um preenchimento completo.

Hugo Só - The Bridge
Hugo Só – The Bridge

4. Lembra-se da sua primeira câmara? Quais foram os seus primeiros registos fotográficos?

A minha primeira maquina fotográfica foi ainda na faculdade para registar as maquetas que ia construindo, penso que uma Sony de 3.2Mpix, já digital. Depois tive uma mão cheia de “brinquedos” até que em 2011 adquiri a minha primeira DSLR, uma Nikon D5100. Inicialmente fotografava coisas parvas, para perceber os set’s da máquina, mas acho que a minha primeira foto a sério foi um ano e tal depois, num nascer do Sol na Mourisca, em Setúbal.

Hugo Só - Involutus
Hugo Só – Involutus
  1. Que visão procura transmitir através das imagens?

Não sendo um fotografo purista, ou seja, a realidade que vejo e que aparece na máquina é sempre completada com o que sinto no momento e no ato de fotografar ou, mais tarde, aquando da revelação da foto. Tento sempre ter uma visão que seja só minha, desde o enquadramento até à publicação ou impressão da fotografia, tudo tem um cunho muito pessoal, uma visão que quero só minha embora influenciada por grandes autores nacionais e estrangeiros que chego a “copiar”, no bom sentido, perceber como fizeram e porque o fizeram para que depois possa fazer diferente mesmo que por vezes me limite a reproduzir algo que já vi.

Hugo Só - Jogo de Espelhos
Hugo Só – Jogo de Espelhos
  1. Qual foi o sítio mais fantástico onde já fotografou?

É difícil responder a isso, pois para que as fotos ou os locais sejam de eleição as condições climatéricas têm um papel preponderante. Mas posso afirmar que ir ao Cabo da Roca e descer a uma das várias praias em sua volta é algo sempre único, a natureza no seu estado puro envolve e torna-nos pequenos.

Hugo Só - Happy time
Hugo Só – Happy time
  1. Em quem, ou no quê, se inspira? Quais são os seus fotógrafos de referência?

Consumo centenas de fotografias por dia, vejo e revejo filmes e portfólios de diversos fotógrafos nacionais e estrangeiros inspirando-me diariamente no seu trabalho, nos locais e claro, nas fotografias, acabando por não ter uma referência, mas posso afirmar que a Annie Leibovitz é a fotógrafa contemporânea que mais admiro, embora o meu tipo de fotografia não seja nem de perto nem de longe parecido com o dela, mas pela visão e pelo sentimento que o seu trabalho transmite, torna-a para mim a artista com maior expressão neste momento.

Hugo Só - Alentejo
Hugo Só – Alentejo
  1. Nos últimos anos foram descobertos inúmeros talentos com a massificação da fotografia divulgada através das redes sociais, designadamente no Instagram. O que pensa sobre isto?

Bem, o Instagram, ou outra rede social, vive muito da imagem, da fotografia, o que implica que cada um tende a mostrar o que melhor faz, acabando por influenciar a exigência que metemos em cada foto, melhorando assim o portfólio publicado. Depois, quem tem destaque nem sempre são os melhores, ou seja, uma pessoa que partilhe muito, que comente, que coloque “likes” numa determinada foto ou publicação, torna-se mais visível que outra, não sendo obrigatoriamente melhor fotógrafo, apenas tem mais destaque. Mas esta situação aconteceu desde sempre, mesmo quando não havia redes sociais, fazendo o paralelismo com a pintura e se recuarmos no tempo, vários séculos, até ao impressionismo, a maioria dos pintores da época só foram reconhecidos mais tarde com a divulgação dos seus trabalhos, morrendo a maioria na miséria e na desgraça. Hoje as redes sociais, embora massificadas, permitem que se alguém tiver um bom trabalho acabe de certa forma reconhecido, pelo menos essa possibilidade existe.

Hugo Só - Deepness
Hugo Só – Deepness
  1. Qual a fotografia/projeto do seu portfólio que considera mais marcante? Porquê?

Não sendo a fotografia que mais gosto, reconheço que a fotografia da Arte Xávega, denominada “StrongMan”, teve um destaque tal que levou todo o meu portfólio a ser conhecido pelo o público em geral.

Hugo Só - Strong Man
Hugo Só – Strong Man
  1. O que é que sente quando o seu trabalho é destacado em publicações ligadas, ou não, ao mundo da fotografia?

Nada em particular, apenas fico contente mas, como costumo dizer, preferia ter dinheiro e tempo para ir a um sítio de eleição fotografar. Ter hoje uma publicação numa capa de revista ou ser fotografia da semana ou do mês num site de fotografia dá-nos o quê? Simplesmente uma centena de likes e de amigos novos nas redes sociais, monetariamente é zero, ou seja, ser destacado, pensava eu, podia abrir portas para novos projetos fotográficos, mas assim não o é! É verdade que existe depois o respeito e admiração dos nossos semelhantes, da família e amigos, justificando muitas vezes o tempo que perdemos em torno desta arte, mas pouco mais.

Hugo Só - A dream come true
Hugo Só – A dream come true
  1. Certamente já viveu momentos especiais e peculiares durante o desenvolvimento de um qualquer projeto/sessão fotográfica? Pode-nos contar?

O momento que guardo com mais carinho na minha memória foi uma noite que passei na Serra da Estrela, a fotografar até ao nascer do sol, mais propriamente na Lagoa do Peixão ou da Paixão, como comummente é conhecida. Presenciar as rochas a ficarem vermelhas no topo da montanha e conforme o sol subia ia vincando mais a parede, que ia mudando de cor até um intenso laranja, fez com que percebesse que fotografar paisagem natural é sempre único e ou se consegue agarrar aquele momento ou ele nunca mais voltará a acontecer. Como diz o provérbio “nunca te banharás duas vezes na mesma água do mesmo rio”

Hugo Só - This is passion
Hugo Só – This is passion

12. Que tipo de equipamento utiliza habitualmente e porquê? Quais são as suas preferências no que toca a equipamento de estúdio?

Equipamento de estúdio não tenho, não faço ainda esse tipo de fotografia. O meu material assenta muito sobre o tipo de fotografia que faço, ou seja, paisagem, rua ou quotidiano e fineart. Tenho quase sempre comigo dois corpos, uma D7100 montada com uma lente 70-200 f2.8, e uma D810 com uma lente 16.35 f4. Depois, diversos filtros de densidade neutra gradiente e full e dois tripés, um mais robusto e outro mais leve e pequeno, para viagens fotográficas e cidades.

Hugo Só - The thousand shapes to infinity
Hugo Só – The thousand shapes to infinity

13. Qual a sua relação com a fotografia digital e técnicas de edição?

A minha relação com a fotografia é só uma, a Digital, nunca fotografei em analógico e muito menos revelei qualquer película. Toda a minha fotografia é digital e utilizo todas as ferramentas ao meu dispor para tornar a fotografia melhor, claro que se tiver a fotografar rua ou paisagem não coloco nada que não existe, puxo apenas pelas cores, contraste, claridade, nitidez, em que no máximo posso apagar algum elemento distractivo como por exemplo, uma beata de cigarro numa poça de água. Mas se for em finearte, aí o meu chip muda e o que interessa, para mim, é o resultado final, apenas não faço colagens de outras fotos, mas de resto vale tudo, apagar, torcer, espelhar…

Hugo Só - Uma vida cheia de histórias
Hugo Só – Uma vida cheia de histórias

14. Que conselhos daria a jovens fotógrafos que queiram tornar-se profissionais e desenvolver os seus próprios projetos?

Profissionais não sei… pois também não o sou, mas para chegaram a um nível que possam ser de alguma forma reconhecidos é, sem duvida, fotografar todos os dias, perceber melhor que ninguém como o material que usamos funciona nas diversas situações e ir em busca da perfeição, isto é, eu para fazer uma foto do Guincho, por exemplo, vou lá três ou quatro dias seguidos até conseguir fazer a foto, implicando inúmeros gastos mas, enquanto não fico satisfeito com uma foto, não desisto.

Hugo Só - Propulsion sky
Hugo Só – Propulsion sky

15. Se não tivesse optado pela fotografia haveria com certeza outra área a que se teria dedicado, ou não?

Penso que não, venho das artes, da pintura, da escultura e da arquitetura e encontrei na fotografia a minha verdadeira paixão, talvez por não ter de ganhar dinheiro com isto torna-a o meu escape, o meu verdadeiro amor.

Hugo Só - When the hell arrives
Hugo Só – When the hell arrives

16. A sua formação académica teve alguma influência na escolha da fotografia como meio de expressão artística?

Sim, no meu caso a fotografia é parte da base do meu trabalho, sou arquiteto de profissão e a imagem tem um papel preponderante na forma de apresentar os trabalhos, de registar as obras que acompanho, dos levantamentos que faço e, claro, do resultado final que depois exponho para publicidade.

Hugo Só - Vulcanic
Hugo Só – Vulcanic

17. Resuma em poucas palavras o seu percurso na fotografia?

O meu percurso na fotografia é baseado no amor, não encontro outra justificação, não me recordo de outra atividade que já fiz na minha vida que me desse tanto prazer, desde o primeiro disparo em 2011 até hoje, tenho tido uma evolução constante mas sobretudo, uma incessante busca da perfeição. Nem todas as fotos que fiz foram boas, muito menos perfeitas, e duvido até que tenha alguma que seja excelente mas todas, sem exceção, deram-me uma felicidade enorme, ao ponto de me lembrar de todas elas, de todos os momentos.

Hugo Só - Espelho
Hugo Só – Espelho

Veja o vídeo com as fotos de Hugo Só aqui.

Se desejar ver mais e seguir o trabalho de Hugo Só:   Facebook  e  Instagram

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