O que é Cultura? E, mais importante ainda, como funciona esse campo criativo e diversificado da mente humana neste país? Ninguém duvida que há a “boa” Cultura – o Teatro, o Cinema,  a Literatura, a Música, as Artes Plásticas – e  a não tão “boa”, porque menos imediata na mente das pessoas,  como a Arquitectura, o Artesanato ou o Design.

Teatro
Teatro

Umas áreas terão séculos de existência, outras demoraram mais a ser definidas nos seus contornos. Para mim, tenho que todas as áreas se unem debaixo de um tema só – o da criatividade humana. Pelo que a Ciência também pode ser Cultura. Ou seja, tudo pode ser Cultura. Posto isto, que fazemos em Portugal com os nossos criadores?

Teatro
Teatro

Todas as áreas se queixam. É uma instituição nacional, sem dúvida, mas é também resultado da insatisfação crónica do criador. Natural. Tudo anda às avessas por cá. Com um orçamento que nunca chegou ao 1%, a Cultura verdadeira, a que não é apadrinhada ou promovida artificialmente, a que perdura apenas por verdadeiro mérito dos seus criadores, sempre sofrerá com a falta de equidade e justiça.

Literatura
Literatura

Nem todos os criadores se devem queixar, de facto. Ter oportunidade de mostrar o trabalho, e logicamente ter sucesso é, por cá e para muitos, uma actividade sazonal que se pode medir entre eleições.  Porque os que estão do lado da “nossa” cultura, há épocas. Expliquemos. Há artistas que fazem parte do clã certo (geralmente o do partido no poder ou dos “lobbies”adequados) e os outros que ficam de fora. Mas não são os únicos factores. Há a moda do ir lá fora para se ser conhecido cá dentro mas esse reconhecimento é cada vez mais precário  e já não garante nada. Há a moda das start-ups na Cultura como se, no fim, elas conseguissem atingir plenamente alguma vez os  seus objectivos.

Arte
Arte

A bitola é sempre a capacidade de financiamento, Por exemplo, quem faz festivais de música por cá? Serão sempre os mesmos? Que patrocinadores consegue um produtor independente? Quem proteje as pequenas exposições, os escritores, os actors, os músicos, os compositores? Há também agora uma moda que faz com que os editores queiram que sejam os autores a fazer a promoção dos livros, quando não a pagarem a sua própria edição, os músicos a fazerem o seu calendário de espectáculos, os artistas plásticos a descobrirem os lugares onde irão expor. Ou seja, se um criador não é também agente comercial e publicitário, nunca, ou quase nunca, consegue chegar onde quer.

Exposição
Exposição

E quanto à promoção dos espectáculos ou exposições, haverá de facto divulgação na comunicação social? Não há.  O que há é jornais que vendem páginas para promoções de programas de televisão, de filmes de determinadas distribuidoras, imagens de figuras do “jet-set” lisboeta da moda, tudo disfarçado de notícias. Estes jornais  são facilmente reconhecíveis.  Mas será isso informação?

Arte
Arte

Tudo se desvirtua à medida que a comunicação social deixa de ser independente. E  em Portugal já há pouco disso.  Pouquíssimo. Desapareceram os críticos de arte, de cinema, de teatro, de artes plásticas. E mesmo que fossem, e eram-no muitas vezes, uns vendidos a interesses alheios, sempre se sabia o que havia por aí.  Ou seja, hoje os criadores estão cada vez mais entregues à sua sorte. Quem perde? Todos nós.  E o desânimo é uma constante. Queixam-se os criadores? Pudera…

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