Início Histórias Dr. Bayard: o nome é francês, os rebuçados são da Amadora

Dr. Bayard: o nome é francês, os rebuçados são da Amadora

Os peitorais mais famosos do país são rebuçados e levam o carimbo da Dr. Bayard. Entrámos na fábrica da marca que chega a produzir 800 mil por dia.

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Mas a guerra mundial ia longa e o refugiado começou a ter cada vez mais dificuldades em adquirir os produtos de que precisava na mercearia. Álvaro passou a ajudá-lo, facilitando-lhe o acesso aos bens de primeira necessidade, também por aqui cada vez mais escassos.

Dr. Bayard

Pão, queijo, arroz… A lista de alimentos não ficou escrita, mas o resto faz parte da história tantas vezes repetida: quando chegou finalmente a paz e o médico pode regressar a França, não se esqueceu da generosidade do amigo e pagou-lhe com o bem mais precioso que tinha — uma lata com a receita dos “rebuçados peitorais” Dr. Bayard. Era esse o seu nome. É por isso que a marca ficou com um apelido francês, não podendo ser mais portuguesa.

“A receita que estava na lata tinha os ingredientes mas não as quantidades, por isso foi preciso fazer várias experiências”, diz Daniel Matias, neto do fundador e atualmente responsável pela comunicação da marca, que acaba de inaugurar uma loja online e de lançar um vídeo onde mostra que o comércio pode estar a modernizar-se mas “a tradição ainda é o que era”. É também Daniel quem conta que “a receita nunca foi alterada” e que ao longo do tempo tentaram localizar o Dr. Bayard e a família, mas nunca o encontraram.


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Desde 1949, quando Álvaro Matias recebeu a lata e começou a sair de casa com um cesto de verga enfiado no braço para vender em farmácias e no cinema os rebuçados que fazia “numa panelinha ao lume”, muitas coisas podem ter mudado mas outras tantas continuam na mesma.

Em vez de serem embrulhados à mão numa cozinha, os rebuçados passaram a ser embrulhados por uma máquina a toda a velocidade — mil por minuto — e quase todo o processo se tornou mecanizado. Em vez de ser o casal Matias a fazer tudo, a Dr. Bayard tornou-se uma fábrica e passou a empregar 15 funcionários, mas continua a ser um negócio familiar.

Dr. Bayard

“O meu pai diz, na brincadeira, que é quase como se isto continuasse a ser uma mercearia”, conta Daniel Matias. “As pessoas que aqui estão viram-me crescer e trabalham com os rebuçados há mais tempo do que eu tenho de vida.”

(cont.)

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