Início Histórias Dr. Bayard: o nome é francês, os rebuçados são da Amadora

Dr. Bayard: o nome é francês, os rebuçados são da Amadora

Os peitorais mais famosos do país são rebuçados e levam o carimbo da Dr. Bayard. Entrámos na fábrica da marca que chega a produzir 800 mil por dia.

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Dr. Bayard: o nome é francês, os rebuçados são da Amadora
Dr. Bayard: o nome é francês, os rebuçados são da Amadora

Dr. Bayard: o nome é francês, os rebuçados são da Amadora

Esquecendo os atributos de Cristiano Ronaldo, os peitorais mais famosos do país são rebuçados e levam o carimbo da Dr. Bayard. Entrámos na fábrica da marca que chega a produzir 800 mil por dia.

Dr. Bayard

As imobiliárias e os guias turísticos são mestres em vender as maravilhas de certas ruas, mas não é preciso ter uma agência para perceber a originalidade da Gomes Freire: cheira a mentol.

Os alunos da escola profissional vizinha, Gustave Eiffel, dizem o mesmo. Naquela zona residencial da Amadora cheira permanentemente a rebuçados, e a razão está escondida no número 10.

Dr. Bayard

O que parece ser apenas mais uma garagem é na verdade a porta de entrada da fábrica da Dr. Bayard, a marca que há várias gerações é a receita de bolso de muitos portugueses para acabar com a tosse.

Quem dá as boas vindas, aliás, é a única pessoa que parece sofrer da garganta nas imediações: o homem desenhado nas embalagens de rebuçados da marca, em tons de azul, branco e vermelho, e que está ampliado e emoldurado à entrada, por cima dos cacifos dos trabalhadores.

© Jorge Vieira

Para lá da porta-que-não-é-uma-garagem não estão carros mas sim máquinas que fazem um barulho ensurdecedor e transformam uma espécie de caldo de mel, açúcar, glucose e plantas medicinais em milhares de rebuçados que vão passando em tapetes rolantes a toda a velocidade.

Num dia bom podem-se produzir até 800 mil dos retângulos que prometem “não sofra mais, experimente os rebuçados peitorais”. Tudo somado dá 600 toneladas de rebuçados por ano. Mas nem sempre foi assim.

Uma receita milagrosa entregue numa lata

Dr. Bayard

Há 67 anos, quando a Dr. Bayard foi criada, a maquinaria envolvida no fabrico dos rebuçados reduzia-se praticamente a uma colher de pau e um tacho. Por trás dos inovadores utensílios de cozinha estavam Álvaro Matias e a mulher, ele de Almeida, uma das aldeias históricas de Portugal, ela de Vilar Formoso.

Ambos tinham vindo para Lisboa no final dos anos 30, tentar uma vida melhor. Vieram à procura de novas oportunidades e acabaram por encontrar um negócio.

© Jorge Vieira

Álvaro Matias trabalhava numa mercearia da capital quando conheceu um médico que tinha saído de França para fugir à Segunda Guerra. Com o tempo, os dois homens acabaram por se tornar amigos e partilhar o que melhor sabiam: o português servia de guia turístico para o médico e a mulher, enquanto o casal lhe dava aulas de francês em casa, depois do trabalho.

(cont.)

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