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Como era o sexo nos tempos das nossas avós? Elas contaram-nos

O seu avô e a sua avó fizeram sexo. Sem papas na língua, 11 mulheres contam na primeira pessoa como era o sexo no seu tempo.

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Como era o sexo nos tempos das nossas avós? Elas contaram-nos

O seu avô e a sua avó fizeram sexo. E, por vezes, não apenas como pode pensar. Sem papas na língua, 11 mulheres contam na primeira pessoa como era o sexo no seu tempo.

Como era o sexo nos tempos das nossas avós? Elas contaram-nos“A menina tem que idade? E com essa idade ainda não sabe estas coisas? Tenho de ser eu a ensinar?”, questiona-se Felisberta Marques agarrada ao saco de plástico onde transporta o lanche por petiscar no autocarro a caminho de Coimbra. Com esta idade, 23 anos, Felisberta já estava casada, já tinha “pinado” muito e estava prestes a ser mãe pela primeira vez.

Tem muito para ensinar: diz-nos para não acreditar em todas as mulheres que juram a pés juntos terem ido virgens para o casamento, porque havia muita gente que, como ela, só ia “conservada no buraco que interessava”. Pergunta-me se eu entendo onde ela quer chegar e eu digo que agora as coisas são diferentes, que agora a violência doméstica é um crime e que se faz sexo sem ser com o marido.

Dei-lhe muitas novidades: Felisberta ficou tão espantada com aquelas notícias como eu quando ela contou que só conheceu o prazer quando fez um exame Papanicolau e quando descobriu as maravilhas que um chuveiro podia fazer em prol da “mastrubação”.

Quando Felisberta descobriu a sexualidade, o artigo 1636 — “Erro que vicia a vontade” — do Código Civil português dizia que “a falta de virgindade da mulher ao tempo do casamento” era suficiente para anular o matrimónio. A ditadura tinha tirado das bancas um livro que, entre 1901 e 1933, havia esgotado 19 edições: “A Vida Sexual” de Egas Moniz guardava-se na mesma mesinha de cabeceira onde permanecia a Bíblia, mas quando Salazar assumiu o controlo do país passou a ser vendido apenas em farmácias e só perante apresentação de uma receita médica.

Certo é que, esperando pela vinda na noite de núpcias, trepando as janelas do quarto ou arregaçando as saias no meio do mato, se está a ler este artigo é porque o seu avô e a sua avó fizeram sexo. Fizeram amor. “Coisaram”, como nos contou uma das seis mulheres com quem conversámos no Centro de Bem-Estar de Bairro.

E agora, elas e outras cinco avós contam-nos como se usava “a dita cuja” ou “a grila” no antigamente. Na primeira pessoa e sem papas na língua.

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