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Colhões de São Gonçalo: origem e a secreta receita

Um doce fálico ao qual chamaram Colhões de São Gonçalo – uma ousadia herege que tem mais que se lhe diga. Conheça a sua origem e a secreta receita.

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Colhões de São Gonçalo: origem e a secreta receita
Colhões de São Gonçalo: origem e a secreta receita

Colhões de São Gonçalo: origem e a secreta receita

Há vários nomes para este doce amarantino. Doces fálicos é o que melhor o designa com palavras meigas. Mas há mais, e menos óbvios. No final, o vocábulo que o popularizou foi mesmo este que destacamos – Colhões de São Gonçalo, ou, em alternativa, Caralhinhos.

Origem dos Colhões de São Gonçalo

Engane-se quem vê a origem destes doces no passado recente da região, como uma brincadeirinha de mau gosto das pastelarias da cidade. Engane-se também quem procura a origem no culto a São Gonçalo, que aqui passou grande parte da sua vida, porque, ainda que antigo, não vai suficientemente longe na explicação.

Para chegarmos à verdadeira justificação, é preciso ir a um tempo mais brumoso, pré-Cristão, e influenciador do que depois se viria a tornar na devoção amarantina ao seu padroeiro.

Aliás, dá para entender que juntar colhões e São Gonçalo não é um gesto de grande catolicismo, e não faltaram autoridades maiores – isto é, a igreja, em primeiro lugar, e o Estado Novo, em segundo – a levantarem os seus dedos contra uma heresia destas. Mas o povo não se regra, e ainda bem.

São Gonçalo de Amarante

A verdade é que Gonçalo (que é beato, a atribuição de santo veio do povo e não da igreja) foi conhecido pelos casamentos que ajudou a realizar. E essa história foi fundamental para que se passasse a ter a imagem do santo como substituta de antigos ritos ligados à fecundidade.

A sua fama de casamenteiro – como aconteceu com Santo António – veio mesmo a calhar, numa de fundir o pagão com o cristianismo entretanto institucionalizado.

Ficou assim ligado a prestações religiosas antigas, de culto à fecundidade da terra. Salva velhinhas da viuvez, ajudando-as a casar novamente. Ajuda a impotência dos homens, que lhe rezavam a pedir solução. As solteiras roçam os seus corpos no túmulo do santo numa de se tornarem férteis ou arranjarem marido.

(cont.)

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