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Cientistas portugueses descobrem como reverter o envelhecimento

Ainda não existe máquina do tempo, mas a humanidade pode estar a caminhar rumo à fórmula para voltar ao passado. Bem, pelo menos no caso das células do nosso organismo.

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Cientistas portugueses descobrem como reverter o envelhecimento
Cientistas portugueses descobrem como reverter o envelhecimento

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Cientistas portugueses descobrem como reverter o envelhecimento

Foto: Paulo Spranger – Global Imagens

A equipa do Instituto de Medicina Molecular (IMM) João Lobo Antunes conseguiu “reverter células adultas em células estaminais” ao reduzir o gene expresso nas células de ratinhos envelhecidos.

Cientistas do Instituto de Medicina Molecular (IMM) João Lobo Antunes descobriram que a manipulação de um gene ajudou a reverter o envelhecimento celular, num estudo com células da pele de ratinhos publicado na revista Nature Communications.

Cientistas portugueses descobrem molécula que ajuda a reverter a o envelhecimento

A equipa coordenada pelos investigadores Bruno de Jesus e Maria do Carmo-Fonseca verificou que de uma lista de genes ‘candidatos’ um deles exprimia-se mais em células velhas.

A pergunta que colocaram, e que serviu de ponto de partida para a investigação, foi se “a diminuição dos níveis deste gene nas células velhas” se traduziria num “comportamento idêntico” destas células “ao das células novas”.

O estudo concluiu que sim, segundo Bruno de Jesus, que trabalha no laboratório de regeneração genética do IMM, liderado por Maria do Carmo-Fonseca, igualmente presidente do instituto.

Cientistas descobrem que manipulação de gene ajuda a reverter envelhecimento de células

Bruno de Jesus explicou que, à medida que se envelhece, “há uma barreira” na reversão de uma célula adulta para uma célula estaminal (a célula que é capaz de se diferenciar noutras células).

Com uma célula nova, pelo contrário, esse processo de reversão é conseguido, adiantou.

Os investigadores comprovaram este mecanismo ao estudarem células retiradas da pele de ratinhos mais velhos e mais novos.

Ao reduzir o gene expresso nas células dos ratinhos envelhecidos, a equipa conseguiu “reverter células adultas em células estaminais”.

Cientistas descobrem que manipulação de gene ajuda a reverter envelhecimento de células

Uma vez que as células estaminais têm a capacidade de se diferenciar e autorrenovar, o estudo pode ser útil para, num próximo passo, se perceber, travando a ação desse gene nas células velhas, se estas, ao ‘transformarem-se’ em células estaminais, podem substituir células destruídas e regenerar tecidos.

“Os resultados são um importante avanço no sentido de virmos a ser capazes de regenerar tecidos doentes em pessoas idosas”, sustentou Bruno de Jesus, citado em comunicado pelo Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes.

LIGHTSPRING/SHUTTERSTOCK

Rejuvenescimento celular: para que serve?

Em todos os organismos vivos as células sofrem um processo de envelhecimento desde o momento em que nascem. Este processo é um dos fatores que determinam o aparecimento de doenças, como o cancro e Alzheimer. No entanto, não dá para reverter este processo de degeneração.

O objetivo do rejuvenescimento celular não é trazer células doentes ao seu estágio anterior, saudável, mas usar células adultas de um outro tecido (por exemplo, da pele, que é extremamente fácil de ser coletada) e torná-las “bebês”. Quando a célula volta no tempo até ao seu momento mais básico de formação, atinge o estágio no qual a sua plasticidade é tanta que ela pode se tornar qualquer tecido do corpo.

Em resumo, o que querem fazer é extrair células saudáveis adultas da pele, rejuvenescê-las e aplicá-las nos tecidos doentes, como num intestino com cancro ou cérebro com Parkinson. Assim, ela irá crescer, integrar-se e regenerar zonas prejudicadas do corpo.

WHITEHOUNE/SHUTTERSTOCK

Como é que os cientistas fazem isso?

Ao realizar testes e testes com células de ratinhos de laboratório, os cientistas portugueses descobriram que as células presentes em roedores mais velhos produziam muito mais a molécula ARN do que os mais jovens.

Há dois tipos de ARN, um que resulta na formação de proteínas e outro que regula o funcionamento dos genes – e são os deste segundo tipo que os cientistas identificaram.

Foram analisadas células embrionárias, adultas e velhas e, quando comparadas, chegaram à conclusão que o ARN regula o gene da proteína Zeb2 e que a sua presença é sinal de envelhecimento. Tentaram uma técnica simples e funcionou: retiraram o ARN das células mais velhas e elas voltaram no tempo – tanto ao ponto de serem reprogramadas.

KATERYNA KON/SHUTTERSTOCK

Teste em ratos prova eficácia

Depois da descoberta, o teste final. A equipa realizou este procedimento nos mesmo ratinhos: extraíram as células, tornaram-nas mais jovens e recolocaram-nas por baixo das suas peles. Quando se desenvolveram, tornaram-se num teratoma, um tipo de tumor especial: é composto de células de diversos e diferentes tecidos, como de músculos, pelos e ossos.

Ou seja, a célula voltou ao seu estágio embrionário e cresceu de forma desordenada. Se induzido o seu desenvolvimento, o tecido poderia ocupar o espaço de um órgão que sofre com um tumor, afirmam os cientistas.

SCIENCEPICS/SHUTTERSTOCK

Resultado em humanos

Cientistas japoneses já tentaram realizar o processo, embora com técnica diferente. Em 2017, o método, inclusive, chegou a ser aplicado em dois pacientes que sofriam de doença genética na retina, com células retiradas da pele e aplicadas nos olhos. Ainda não se sabe o sucesso a longo prazo deste procedimento.
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