Início Histórias Quando as nossas avós marcharam para a guerra

Quando as nossas avós marcharam para a guerra

“Pela Pátria” era grito, frase de jornal, ordem para resistir ao inimigo. Na retaguarda, as mulheres criaram verdadeiros batalhões de ajuda à população.

712
Quando as nossas avós marcharam para a guerra
Quando as nossas avós marcharam para a guerra

Quando as nossas avós marcharam para a guerra

“Pela Pátria” era grito, frase de jornal, ordem para resistir ao inimigo. Na retaguarda, as mulheres republicanas e monárquicas criaram verdadeiros batalhões de ajuda à população, disputando terreno e capacidade de influência.

De um lado, a aristocracia católica com a Assistência das Portuguesas às Vítimas da Guerra, do outro, as republicanas laicas, com a Cruzada das Mulheres Portuguesas. É “Madame Bernardino Machado”, a mulher do Presidente, quem lidera este movimento, inspirado nas cruzadas de outros países que entraram na Grande Guerra

A guerra era uma tatuagem na pele de todos; o ar cheirava a guerra, as conversas nos cafés falavam de guerra, as famílias olhavam para os mancebos temendo a sua mobilização. Nem a formação daquele novo Governo que dizia unir todos os partidos tirava a cisma da guerra da cabeça dos portugueses. A bem dizer, já era o 15º desde que a República tinha sido implantada, em outubro de 1910… e ainda só estávamos em março de 1916.

Adivinhando os duros tempos que aí vinham, as senhoras católicas, que tão afrontadas se sentiam pelo anticlericalismo do novo regime, lançaram as bases da Assistência das Portuguesas às Vítimas da Guerra, que tinha como principal objetivo a “organização de cursos de enfermeiras”, segundo o Dicionário Feminae.

Afinal, as condessas de Burnay e Ficalho queriam disputar terreno às mulheres republicanas que já estavam a trabalhar no terreno desde que começara a conflagração – termo muito usado pela imprensa da época para designar a guerra de 1914-1918.

A CAUSA DA CRUZADA

A Cruzada das Mulheres Portuguesas (CMP) foi muito mais do que um projeto de assistência e solidariedade para as 80 mulheres do grupo fundador; a Cruzada foi uma causa, e terá sido o significado da palavra cruzada como causa uma das razões que contribuíram para a escolha deste termo, já utilizado pelas congéneres europeias.

Certo, certo, é que as republicanas reivindicavam a laicidade do Estado, e tinham pouco em comum com apologias outrora feitas pela igreja católica.

Ana de Castro Osório, fundadora da CMP, é a única mulher representada nesta litografia de Roque Gameiro; mesmo do lado direito da República… DR

A CMP “integrou um grupo de mulheres notáveis, num momento particularmente difícil” da história de Portugal, lembra a investigadora Isabel Lousada.

Dois anos antes, a escritora e pedagoga republicana Ana de Castro Osório, uma das mulheres que mais defendeu a participação de Portugal na guerra, já tinha participado na criação do movimento Pela Pátria, inteligentemente batizado com esta expressão que galvanizava quase toda a população.

À margem da participação feminina na conflagração, recorde-se que Castro Osório foi o grande amor do poeta Camilo Pessanha, e a motivadora do seu exílio oriental quando escolheu Paulino de Oliveira para marido.

E foi também a única militante do Pela Pátria a figurar entre as 80 fundadoras da Cruzada, em 20 de março de 1916, apesar da CMP se inspirar nos princípios de intervenção social e assistência já defendidos pelo movimento Pela Pátria.

O PR Bernardino Machado, marido da primeira presidente da CMP, cumprimenta populares em Lisboa – FUNDO PARTICULAR DO MUSEU BERNARDINO MACHADO

(cont.)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.