As incongruências

As prioridades andam invertidas em Portugal. Porque aceitamos isto? As incongruências.

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Quando em Davos se reúne, mais uma vez, o Fórum Económico Mundial e se anunciam negociações que vão levar à extinção de milhões, sim, milhões de postos de trabalho num futuro próximo, ninguém liga. Não se liga, não se quer saber, não interessa. E mesmo que depois se diga que “eles”, os poderosos da economia deste mundo, se reúnem desde 1971 e que nada de bom tem sido conseguido, antes pelo contrário, continua a não ser nada connosco.

O que é importante é se Bruno de Carvalho, de facto, insultou o árbitro, que palavras disse mesmo, se vai suspenso 20 dias ou mais, se haverá outras penalizações.  Também é muito importante saber se a mulher de Pinto da Costa respondeu bem a Vítor Baía,  se o Porto tem novo treinador rapidamente e vai ganhar ao Benfica ou se Peseiro vai fazer melhor serviço que Lotopegui.

E esta inversão na importância das coisas é muito culpa da comunicação social, sobretudo porque mistura num telejornal coisas muito sérias que têm segundos de notícia e futilidades que dominam noticiários. Há ainda programas de debate muito extensos que escalpelizam cada jogada e cada declaração, como se por detrás de cada jogador houvesse um filósofo de ideias intrincadas.

Entretanto, vamos a votos. Imagine que não sabia nada sobre a Política em Portugal e tivesse aterrado no debate dos candidatos presidenciais da passada segunda feira. Ficaria siderado com o que se passou.

Apenas uma candidata num país em que a força de trabalho é já maioritariamente feminina, assim como as licenciadas. Saberia também que uma outra candidata não estava lá porque havia falecido Almeida Santos, o que é compreensível, mas privando-nos de um confronto que seria sempre importante, sobretudo quando o debate era dos últimos e no principal canal nacional.

Viu um candidato que duvidou das habilitações de outro quando esse ponto devia ser escrupulosamente escrutinado aquando da aceitação das candidaturas. Um outro que falou e com convicção de corrupção e ninguém aceitou bem quando afirmou claramente que político que mentisse devia ser imediatamente irradiado.

Outro candidato que disse ser incompreensível que no Parlamento não passe legislação contra o enriquecimento ilícito. E ninguém se ralou muito. E no domingo vamos votar alegremente. Pois claro.

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