A realidade e o virtual de algumas opiniões

Precisamos de bons especialistas e está na hora de dispensar os que falam de tudo, sem saberem realmente de nada.

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Estamos num momento interessante na nossa política, onde assistimos a uma clara divergência entre algumas das opiniões publicada e a realidade. Sempre foi assim, mas hoje parece-me mais notória. Comecemos pelas presidências, com os “comentadores” que saltam de televisão em televisão, sempre a dizer a mesma coisa, a considerarem a campanha desinteressante e os debates vazios de ideias e de conteúdos. As audiências dos debates mostram, no entanto, uma outra realidade. No cabo as noites com as presidenciais fazem sempre audiências muito acima da média. O mesmo acontece com os programas em sinal aberto, nomeadamente na RTP que teve a coragem de fazer o seu papel e de colocar este tema no centro do Telejornal. Se as pessoas procuram estes momentos, por alguma coisa será. Certamente terão interesse no tema que os “comentadores” de sempre, consideram desinteressante.

As alegadas divergências no bloco que apoia o governo de António Costa passam diariamente pela opinião publicada, onde se aponta para uma vida curta de uma coligação de incidência parlamentar, que será pouco sólida. A realidade mostra um entendimento único no parlamento e uma nova era de negociação que prova que a democracia só faz sentido na pluralidade de opiniões. Os exemplos da mudança afirmada na gestão dos transportes, como novas administrações em Lisboa e dentro de pouco tempo no Porto, são exemplo disso. É um desafio interessante olhar para o que foi dito na campanha e o que está realmente a acontecer, sem tumultos nem adiamentos. É verdade que o Governo perdeu a capacidade do “quero, posso e mando” e que depende agora do que Bloco de Esquerda, PCP e Verdes pensam sobre cada um dos assuntos. É assim a democracia e estes entendimentos terão dias fáceis, difíceis e impossíveis.

Este pluralismo de olhares que domina a política real terá que chegar também aos “comentadores” que tentam fazer ainda opinião, mesmo que a realidade desminta o seu limitado olhar, todos os dias. Cabe a cada um de nós jornalistas procurar essa diversidade, trazendo para o palco mediático quem sabe realmente de cada um dos assuntos. Precisamos de bons especialistas e está na hora de dispensar os que falam de tudo, sem saberem realmente de nada.

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