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5 coisas que talvez não saiba sobre Camões

Na verdade, não sabemos nada da vida de Camões, a não ser que escreveu os Lusíadas e recebeu uma tença do rei. O resto é especulação e lenda.

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5 coisas que talvez não saiba sobre Camões
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5 coisas que talvez não saiba sobre Camões

Descobrimos que, na verdade, não sabemos nada da sua vida, a não ser que escreveu os Lusíadas e recebeu uma tença do rei. O resto é especulação e lenda.

A vida de Luís de Camões

Diz-se que terá nascido em Chaves. Diz-se que terá vindo ao mundo em 1524. Diz-se que a bagagem cultural de que era dotado foi absorvida em Coimbra. E diz-se – apenas se diz – muito mais sobre este poeta, porque certezas há poucas. Na verdade, não sabemos onde nasceu, se alguma vez esteve em Coimbra, se frequentou a corte, e por aí adiante. Não há documentos, não há registos, absolutamente nada. O que há são quase só restos de especulações sem outro fundamento a não ser a imaginação de quem primeiro as criou.

A história de Luís Vaz de Camões confunde-se com as memórias de um Portugal em expansão. Mas está pendurada com muitos pontos de interrogação.

Cinco coisas que talvez não saiba sobre Camões

Quando Camões se dirigiu aos aos heróis portugueses que deixaram a terra firme da “ocidental praia lusitana” para dar “novos mundos ao mundo” entre “mares nunca antes navegados”, não tinha noção que também ele iria fazer parte daqueles “que por obras valorosas se vão da lei da morte libertando”. É que embora o trabalho de Camões tenha sido algo menosprezado em vida, hoje é o arquétipo do patriotismo português. E se há muitas histórias por descobrir no percurso camoniano, há um número igual de curiosidades por conhecer.

1 – Há duas “primeiras edições” da obra Os Lusíadas

Depois das enormes aventuras que Camões protagonizou na luta contra os mouros em África e depois na Índia, o poeta português chegou a Portugal com um poema épico de mil cento e duas estrofes que narrava os feitos lusitanos por mares nunca antes navegados. Com o apoio de D. Sebastião – que recebeu o cognome de “O Encoberto” – Luís de Camões viu a obra publicada em 1572.

Esta é a capa que ilustra a primeira edição d’Os Lusíadas de Luís de Camões.

Nada de anormal até aqui. Pelo menos se ignorarmos a lenda que conta que Camões sofreu um naufrágio junto à costa do Camboja, a caminho de Portugal, que o obrigou a seguir a nado até à praia usando apenas uma das mãos para salvar “Os Lusíadas” com a outra.

Mas o verdadeiro mistério começa quando descobrimos que existem duas edições do poema épico no mesmo ano e ninguém tem a certeza sobre qual delas é a primeira.

Existe uma descrição para essa primeira (dupla) edição: no final de 1920, o diretor da Biblioteca Nacional de Lisboa – Jayme Cortezão – dirigiu-se ao Real Gabinete Português de Leitura a fim de pedir a esta entidade uma transcrição da versão original d’Os Lusíadas.

Devo lembrar a V. Exª que, a par da 1.ª edição verdadeira que nos propomos reproduzir, existe uma outra, falsa, da mesma data. A verdadeira distingue-se por ter o bico do pelicano da portada voltado para a esquerda do observador e por, no 7.º verso da 1.ª instância do Canto I, ter as palavras “E entre” em vez de “Entre” simplesmente.

O Real Gabinete aceitou auxiliar a Biblioteca Nacional, mas deparou-se com um problema: alguns membros da instituição diziam estar na posse da versão original, enquanto outros insistiam que o exemplar existente nas prateleiras do Real Gabinete era a “segunda edição”.

Em busca da verdade, Alexandre de Albuquerque ficou responsável por estudar a obra e encontrar a original. O trabalho resultou na obra “As duas edições dos Lusíadas de 1572”, publicada em 1921 com 101 páginas. Descobriu-se que a portada utilizada para ilustrar a capa do poema já havia sido utilizada por Gil Vicente e que a segunda edição era a que tinha sido publicada por António Gonçalves.

Crê-se que a versão original da obra capital de Luís de Camões está na posse do Ateneu Comercial do Porto, mas existem vários livros fac-simile – isto é, cópias fieis – d’Os Lusíadas. Há um ano, soube-se da possibilidade de o Ateneu vender a obra para abater parte de uma dívida de 110 mil euros, algo que nunca veio a concretizar-se.

(cont.)

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