Início Histórias 100 anos da Batalha de La Lys: 400 soldados portugueses morreram

100 anos da Batalha de La Lys: 400 soldados portugueses morreram

Há 100 anos o Corpo Expedicionário português combatia em La Lys numa das mais violentas batalhas da I guerra mundial e 400 soldados portugueses morreram.

1867
100 anos da Batalha de La Lys: 400 soldados portugueses morreram
100 anos da Batalha de La Lys: 400 soldados portugueses morreram

100 anos da Batalha de La Lys: 400 soldados portugueses morreram

Há precisamente 100 anos o Corpo Expedicionário português combatia em La Lys numa das mais violentas batalhas da primeira guerra mundial. Em poucas horas morreram 400 soldados portugueses e quase sete mil foram feitos prisioneiros pelos alemães.

Foi o maior desastre militar português: “Por mais ilustrações de heroísmo (que o houve) que recuperem, a realidade é bem crua, triste e vergonhosa”.

100 anos da Batalha de La Lys: 400 soldados portugueses morreram
100 anos da Batalha de La Lys: 400 soldados portugueses morreram

Começo por confessar que não fora a apopléctica tentativa da Liga dos Combatentes em impor o 9 de Abril como o Dia do Combatente não me teria preocupado em descortinar o que estava por detrás do reposteiro. E foi assim que me vim a debruçar sobre aquele que foi, na realidade, o maior desastre militar do século XX português. Por mais intervenções de Photoshop histórico que façam, por mais ilustrações de heroísmo (que o houve) que recuperem, a realidade é bem crua, triste e vergonhosa.

E os culpados têm nome: os guerristas do Partido Democrático que, de forma irresponsável e infame, não desistiram enquanto não nos meteram no atoleiro do teatro europeu da Grande Guerra. O mais recente livro de Filipe Ribeiro de Menezes – De Lisboa a La Lys – publicado pela D. Quixote, é um excelente relato do que aconteceu, incorporando com objectividade o que os ingleses escreveram sobre o tema.

100 anos da Batalha de La Lys: 400 soldados portugueses morreram
100 anos da Batalha de La Lys: 400 soldados portugueses morreram

A sociedade portuguesa, na sua esmagadora maioria, sentia-se desconfortável com a ideia de participar no combate que se travava na frente europeia. Mas os guerristas perseveravam em impor a sua convicção na importância estratégica de ter forças portuguesas a combater nas enlameadas trincheiras da Flandres francesa. E, uma vez declarado o estado de guerra pela Alemanha, a 9 de Março de 1916, o Governo de Afonso Costa tratou de acelerar urgentemente a preparação dos primeiros contingentes.

Para aumentar a “produção” de soldados, a 24 de Maio de 1916, o Ministério da Guerra manda reinspeccionar todos os cidadãos com idade inferior a 45 anos e que tinham anteriormente sido declarados “não aptos”; e até coxos seriam incorporados. E no tórrido estio da charneca de Tancos, em condições climatéricas totalmente opostas às que os soldados iriam encontrar no campo de batalha europeu, era finalmente dada por “pronta” a maioria das tropas submetidas a treino.

O Governo, “em busca da aprovação pública e do sossego dos soldados e das suas famílias”, chamou à preparação relâmpago dessas tropas “o milagre de Tancos”, o que não deixa de ser irónico vindo de um sector político que fizera da anti-religiosidade a sua imagem de marca. Mais de vinte mil homens, sob o comando do general Fernando Tamagnini de Abreu e Silva, desfilaram a 22 de Julho de 1916 na parada de Montalvo, literalmente “para inglês ver”.

100 anos da Batalha de La Lys: 400 soldados portugueses morreram
“De Lisboa a La Lys”, de Filipe Ribeiro de Meneses (D. Quixote) – 100 anos da Batalha de La Lys: 400 soldados portugueses morreram

A 2 de Agosto as tropas começaram a desmobilizar mas o esforço guerrista continuou com a montagem da estrutura e das unidades com que Portugal pretendia participar na Guerra, na Europa. A orientação que presidira ao envolvimento formal no conflito começou a ser afinada com a formação de um Corpo de Exército autónomo, constituído essencialmente por três Brigadas de Infantaria.

França e Inglaterra tinham entretanto enviado missões militares a Portugal, chefiadas respectivamente pelo tenente-coronel de Cavalaria Jogal Paris e pelo major-general Nathaniel Barnardiston, e haviam dado o seu approval à constituição de um corpo expedicionário português, constituído por uma “Divisão reforçada”.

Sob a coordenação directa do ministro da Guerra, o coronel Norton de Matos, iniciou-se então o levantamento das tropas que deveriam integrar o CEP – Corpo Expedicionário Português e o CAPI – Corpo de Artilharia Pesada Independente (com um efectivo de 1.328 homens dos quais 70 oficiais) que iria ficar subordinado ao comando francês.

100 anos da Batalha de La Lys: 400 soldados portugueses morreram

A 31 de Agosto tinha sido proposta no Parlamento a reintrodução da pena de morte para situações de guerra; votada favoravelmente, a medida entrará em vigor a 28 de Setembro, originando violentos protestos nas ruas. Em 13 de Dezembro de 1916, os anti-intervencionistas, cada vez mais activos entre os militares, e cada vez mais populares entre as massas, resolvem arriscar uma sublevação.

(cont.)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.